Infantil, porém reflexivo ao fim.
Nunca pensei que, para voltar a ler, teria que começar aos poucos. Nunca havia lido nada de Voltaire, a não ser sobre suas ideias nos livros de filosofia. Micromegas é uma história boa, embora infantil, aborda temas que pode-se achar interessante ao leitor de mente aberta. Uma delas é o próprio protagonista fazer-nos sentir-se insignificante perante ao mundo (o que, sinceramente, realmente somos), e mesmo possuindo tanto conhecimento sobre as coisas, não podemos simplesmente dizer que tudo a nós nos pertence. Se somos tão inteligentes de intelecto, então por que ao descobrirmos tudo até a borda do universo, a maioria das pessoas não conseguiram gerar o mínimo de empatia uma pelas outras? Achamos que somos superiores por nossa sabedoria, mas no fim é uma ilusão que nós mesmo aprendemos a aceitar calados, afinal, quem domina o mundo impõe isso mesmo de forma inconsciente. Apesar de infantil, tal livro nos faz, mesmo adultos, querer aprender o que podemos, afinal quando micromegas deu aos cientistas um livro sobre todo o conhecimento, ele não se referia ao absoluto, e sim a capacidade de sempre descobrirmos e compartilharmos nosso próprio conhecimento, sem achar-se melhor que ninguém. Aceito de bom grado este como minha primeira leitura em muito tempo, para que eu continue meus sonhos de escrever livros e poemas. Em suma, uma boa leitura para introdução a literatura, a filosofia e em histórias em geral. Às vezes é bom saber que somos insignificantes no universo, assim podemos fazer o que quisermos sem o peso de coloca-lo em risco e em entropia.

