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    Suma Teológica - Volume VIII -

    Santo Tomás de Aquino, Santo Tomás de Aquino

    Loyola
    2002
    830 páginas
    1d 3h 40m
    ISBN-10: 851502554X
    Português Brasileiro
    4.9
    7 avaliações
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    Inicia-se no oitavo volume da Suma teológica, o penúltimo da divisão da obra-prima de Tomás de Aquino, um estudo sobre Jesus Cristo, primeiramente focado no mistério de sua encarnação, morte e ressurreição. Ambos os tratados do livro desenvolvem temas relacionados à vida de Cristo entre os homens, como sua graça, sacerdócio, submissão ao Pai, ensinamento, transfiguração e paixão.

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    Felipe Correia Pimenta picture
    Felipe Correia Pimenta11/08/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Mistério da Encarnação

    “A semelhança da criatura com Deus É tão imperfeita que não chega a ser O gênero comum, comum Pois certos nomes que implicam relação de Deus com a criatura Deles se predicam temporariamente E não são eternos, não são eternos e não são eternos Por isso dobro os meus joelhos Diante do pai de nosso Senhor Jesus Cristo Do qual toda sua sábia paternidade Tomou nome nos céus e na terra.” Jorge Ben Jor, Assim falou Santo Tomás de Aquino Nessa parte da Suma Teológica, São Tomás de Aquino escreve sobre a Encarnação de Cristo. Essa foi necessária, pois como disse Plotino e Dionísio, o bem se difunde e é comunicativo. Deus, encarnando-se, realizou aquilo que é mais excelente, que é a união do Verbo, da alma e da carne, como disse Santo Agostinho. São Tomás acredita que Deus produziu um ato de suma bondade unindo-se ao corpo humano para a salvação do homem. Deus uniu-se à natureza corpórea e mutável mas não assumiu o mal de culpa. A Encarnação foi necessária para a restauração do gênero humano e para o progresso do homem no caminho do Bem, de maneira que Santo Agostinho dirá que no ato da Encarnação, Deus instituiu a fé. Deus dessa maneira ensinou ao homem a dignidade da natureza humana, removeu sua presunção, libertou-o da servidão e deu-lhe força para suportar a própria fraqueza, algo que um simples humano não poderia fazer, diz São Tomás. A Encarnação não teria de forma alguma se realizado se Adão não tivesse pecado, pois o homem teria mantido sua natureza íntegra e seria iluminado pela natureza divina. Uma questão que sempre me intrigou era o porquê de Deus ter vindo à Terra naquele momento e não antes. São Tomás responde que a Encarnação teve que esperar o pecado, mas não exatamente logo após esse, pois era necessário que o ser humano se humilhasse e reconhecesse que necessitava de um libertador. O bem, diz ele, sempre vem do imperfeito para o perfeito. A Encarnação também não poderia esperar por muitos séculos ainda porque se esse momento se estendesse muito tempo, a fé poderia desfalecer. No momento em que Cristo veio à Terra, sua natureza era composta pela união de alma e corpo, ou seja, Cristo assumiu a carne e sua natureza.; Sua forma não poderia existir sem o corpo, por isso Cristo foi um homem perfeito. Ele possuiu um corpo verdadeiro e não imaginário e tornou-se semelhante aos outros homens quanto à forma corporal, porém a distinção de sua natureza foi mantida. Em relação ao conhecimento que Jesus Cristo possuía, São Tomás afirma que Ele conhecia a ciência dos homens além da divina. Cristo deveria levar os homens à perfeição, por isso era conveniente que ele fosse perfeito. A alma de Cristo possuía a ciência dos homens e essa era aumentada pela luz da ciência divina. São Tomás diz que na alma de Cristo está impressa uma ciência infusa. Essa ciência é infundida do alto e é natural aos anjos. Ele também possuía a ciência dos Bem-Aventurados na qual a própria essência de Deus é contemplada, porém de modo algum Jesus Cristo compreendeu a essência divina, uma vez que a perfeição divina não poderia estar reduzida à natureza humana, diz São Tomás.Assim, segundo a Suma Teológica, Cristo conhecia toda a ciência humana e a revelação divina;entretanto, a essência divina não foi dada a Ele conhecer. Segundo Aristóteles, existem dois modos de adquirirmos a ciência, que são através da descoberta e da aprendizagem. Cristo adquiriu a ciência através da descoberta, diz São Tomás. Mesmo que Cristo não tenha experimentado tudo, ainda assim pelo pouco que conheceu chegou ao conhecimento de tudo. Esse conhecimento se deu através dos sentidos pelo qual a ciência todas as coisas foi alcançada pelo conhecimento de apenas algumas. Apesar disso, São Tomás afirma que Cristo não conheceu os singulares passados ou futuros. Jesus Cristo tinha duas vontades: a thelesis, chamada de vontade da natureza; e a boulesis, chamada de vontade da razão. Esses dois conceitos São Tomás tirou de São João Damasceno. A existência dessas duas vontades não prescinde o livre arbítrio. Sua vontade nem sempre era a mesma que a do Pai, pois sua natureza humana, que Ele assumiu com toda a humildade, muitas vezes queria o contrário o que o Pai desejava. Vemos isso quando era vontade do Pai que seu Filho sofresse com o castigo corporal e a morte na cruz; Cristo queria algo diferente, mas disse que tudo teria que ser feito segundo a vontade do Pai. Na minha opinião, um dos pontos mais elevados de toda a filosofia de São Tomás está na questão 8, artigo 3, que é a pergunta: Cristo é a cabeça de todos os homens? Ora, segundo a infeliz encíclica de Pio XII, Mystici Corporis, somente fazem parte da igreja os fiéis católicos que tomam o sacramento. Cristo não seria, portanto, a cabeça de todos os homens. No entanto, no século XIII, São Tomás já havia dado uma solução extraordinariamente humana para essa questão. O Corpo Místico de Cristo abrange toda a humanidade ao mesmo tempo, pois todos podem fazer parte dele em potencial. Mesmo assim,alguns nunca o serão em ato. O mais importante da doutrina tomista é a seguinte afirmação que faço: todos os seres humanos são importantes, não importa sua origem ou religião, pois todos pertencem ao Corpo Místico de Cristo em potencial ou através de seu livre-arbítrio, como diz São Tomás. O Santo admite que mesmo aqueles que vivem em pecado mortal são potencialmente membros. A doutrina católica tal como apresentada por São Tomás é de uma caridade e humanidade que impressionam. Devemos nos preocupar com toda a humanidade e não deseperarmos de ninguém, pois todos poderemos ser potencialmente salvos mesmo que nunca tenhamos ouvido falar de Cristo ou da Igreja.

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    Santo Tomás de Aquino

    Tomás de Aquino nasceu em Aquino por volta de 1225, de acordo com alguns autores no castelo do pai Conde Landulf de Aquino, localizado em Roccasecca, no mesmo Condado de Aquino (Reino da Sicília, no atual Lácio). Por parte de sua mãe, a condessa Teodora de Theate, Tomás era ligado à dinastia Hohenstaufen do Sacro Império Romano-Germânico.1 O irmão de Landulf, Sinibald, era abade da original abadia beneditina em Monte Cassino. Enquanto os demais filhos da família seguiram uma carreira militar,2 a família pretendida que Tomás seguisse seu tio na abadia.3 Esse era o caminho normal para a carreira do filho mais novo de uma família da nobreza sulista italiana.1 Aos cinco anos, Tomás começou sua instrução inicial em Monte Cassino, mas depois do conflito militar que ocorreu entre o imperador Frederico II e o papa Gregório IX na abadia, no início de 1239, Landulf e Teodora matricularam Tomás na studium generale (universidade), que havia sido criada recentemente por Frederico II em Nápoles.4 Foi lá que Tomás provavelmente foi introduzido nas obras de Aristóteles, Averróis e Maimônides, todos que influenciariam sua filosofia teológica.5 Foi igualmente durante seus estudos em Nápoles que Tomás sofreu a influência de João de São Juliano, um pregador dominicano em Nápoles que fazia parte do esforço ativo intentado pela ordem dominicana para recrutar seguidores devotos.6 Nesta época seu professor de aritmética, geometria, astronomia e música era Pedro de Ibérnia.7 Aos 19 anos, contra a vontade da família, entrou na ordem fundada por Domingos de Gusmão. Estudou filosofia em Nápoles e depois em Paris, onde se dedicou ao ensino e ao estudo de questões filosóficas e teológicas. Estudou teologia em Colônia e, em Paris, tornou-se discípulo de Santo Alberto Magno, que o "descobriu" e se impressionou com a sua inteligência. Por esse tempo foi apelidado de "boi mudo". Dele disse Santo Alberto Magno: "Quando este boi mugir, o mundo inteiro ouvirá o seu mugido." Foi mestre na Universidade de Paris, no reinado de Luís IX.

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    Frosinone, Itália

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