Vou tentar ser breve na minha análise. Jogador Nº1 resume-se a três coisas basicamente: um jogo online utópico, excesso de referências e Deus Ex Machina.
OASIS foi o maior ponto positivo (se não for o único) do livro. O autor realmente fez um bom trabalho em desenvolver o universo virtual do livro. Infelizmente ele não foi capaz o mesmo com o mundo real, que fica apenas como um pano de fundo. Tanta coisa podia ter sido melhor aproveitada, como a crise de energia, o lastimável estado de pobreza da população, os próprios personagens poderiam ter sido melhores trabalhados na trama.
O autor perde um tempo precioso citando cada pedaço da cultura popular os anos 80, chega até parecer que há uma referência por página. Num certo ponto Jogador Nº1 deixa de ser um livro e se torna uma lista coisas favoritas dos anos 80 do autor.
Pra continuar essa resenha, vou dar alguns spoilers da trama. Estejam avisados!
Além de personagens estereotipados e superficiais (Daito e Shoto por exemplo), temos uma trama previsível (garoto ganha o dinheiro e a garota) que por mais de uma vez apela para Deus Ex Machina. O melhor exemplo que consigo pensar é quando Wade se deixar ser preso pela IOI e então revela para o leitor que meses atrás comprou uma série de códigos no OASIS que lhe davam acesso ao sistema interno da IOI. Bem conveniente, não é, Ernest Cline?
Enfim, apesar de que Jogador Nº1 possa ser divertido algumas horas e tenha alguns momentos bons nas suas páginas, é um livro com uma história fraca vivida por personagens superficiais mergulhados num universo de clichés e referências que não acabam nunca.
Ah, e ao contrário do que diz a capa, está infinitamente longe de ser um novo Matrix!