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    O Inominável - Trilogia do Pós-Guerra #3

    Samuel Beckett

    Editora Globo
    2009
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788525046406
    Português Brasileiro
    4.3
    107 avaliações
    Leram198Lendo24Querem625Relendo0Abandonos4Resenhas7
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    O inominável, escrito em 1949, é o último romance da famosa “trilogia do pós-guerra” beckettiana, formada ainda por Molloy (1947) e Malone morre (1948). Ser do pós-guerra e ser beckettiana determinam as características particulares da trilogia, e em especial de O inominável. A obra de Beckett nasce em pleno “pesadelo da história” que refere Joyce (de quem Beckett foi secretário particular). Neste caso, um denso pesadelo de meio século, começando pela noite escura da I Guerra, passando pela Grande Depressão e o nazifascismo, para atingir seu auge na noite ainda mais negra da II Guerra (da qual Beckett participou junto à Resistência Francesa). O que levaria Adorno a decretar a própria impossibilidade de ainda se fazer poesia. Ao mesmo tempo, do lado da filosofia, os questionamentos modernos e o fim das certezas clássicas afinal levariam à declaração de Wittgenstein: “o que não sei dizer, devo calar”. É essa impossibilidade, ou seja, a falência da linguagem em dar conta de uma realidade, digamos, inominável, que está na origem dos silêncios significantes de Beckett em seu teatro. Em seus romances, porém, Beckett adotaria uma estratégia lingüística oposta. Falaria — ainda que sobre a impossibilidade de dizer. Como diz, aliás, o prefácio: “[O inominável] põe em cena uma voz anônima que, emitida de algum lugar na linguagem, começa com algumas generalizações: admite que parece falar, dizendo eu sem se perguntar ou pensar quem ou quê é. Diz que não fala de si mesma e que fará aparecer personagens, títeres, objetos, fatos e outros trastes necessários em narrativas, que logo eliminará. Não reconhece nenhuma instância em que possa investir-se para inventar a identidade imaginária do sujeito de seu ato de fala. Avança por aporias, afirmações e negações simultâneas, invalidadas à medida que se formulam. As aporias dão continuidade verossímil à incerteza do seu monólogo, constituindo o presente do leitor com os vazios das significações eliminadas. [A] voz está cansada. Não disso ou daquilo, mas da condição humana, do seu lugar na linguagem, obrigada a continuar falando com palavras de Outro, ‘o mestre’, como diz, repetidas na língua morta das palavras dos vivos, os outros, ‘os homens’: — O que é possível saber? — O que é possível fazer? — O que é lícito esperar? Cansada dessas e de outras questões, fala para eliminá-las”. Se o vazio do mundo não permite dizê-lo, o vazio de si não permite calar-se. No caminho contrário do silêncio significativo de seu teatro, trata-se, nos romances de Beckett, de um ruído (quase) significante. A verdadeira “ação”, em todo caso, está aqui na própria linguagem — ainda que se trate de fazê-la comunicar a incomunicabilidade moderna.

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    arthur08/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    sou todas essas palavras, todos esses estranhos, essa poeira de verbo, sem fundo onde pousar, sem céu onde se dissipar, reencontrando-se pra dizer, fugindo-se pra dizer, que sou todas elas, as que se unem, as que se deixam, as que se ignoram, e nenhuma outra coisa, sim, toda uma outra coisa, que sou toda uma outra coisa, uma coisa muda num lugar vazio, duro, fechado, seco, nítido, negro, onde nada se mexe, nada fala, e que eu escuto.

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    Samuel Beckett

    Samuel Beckett é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas. Beckett nasceu numa família burguesa e protestante, e em 1927 graduou-se em literatura no Trinity College de Dublin, onde estudou também italiano e francês. Em 1928, foi lecionar em Paris, onde conheceu James Joyce, de quem se tornou amigo. Durante o ano de 1930 Beckett lecionou na Irlanda. Nessa época escreveu o estudo crítico "Proust", comentando a obra do grande escritor francês. No ano seguinte Samuel Beckett fixou residência em Paris e escreveu a sua primeira novela, "Dream of Fair to Middling Women", que seria publicada somente depois de sua morte. Em 1933, voltou a Dublin, por motivos familiares, mas retornou a Paris em 1938. Nessa época, levou, de um estranho, uma facada no peito e ficou gravemente ferido. No início da Segunda Guerra Mundial, Beckett vinculou-se à Resistência Francesa, juntamente com sua esposa, Suzanne Deschevaux-Dusmenoil. Em 1942 foi obrigado a fugir para Vichy, onde escreveu parte da novela "Watt". A partir de 1945, o seu idioma literário passou a ser o francês. Entre 1951 e 1953 escreveu uma trilogia ("Molloy", "Malone Morre" e "L'Innommable"), cujo tema é a solidão do homem. Com "Esperando Godot", Beckett iniciou, ao mesmo tempo que Ionesco, o teatro do absurdo. Posteriormente ainda escreveu, além de algumas obras narrativas, diversas peças teatrais, como "Fim de Festa", "Ato sem Palavras" e "Os Dias Felizes". Em 1969, Beckett ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Durante a vida escreveu poemas e textos em prosa, como romances, novelas, contos e ensaios, além de textos para o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Samuel Beckett morreu em 1989, cinco meses depois de sua esposa. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse.

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    Samuel Beckett