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    Crônicas Mineiras -

    Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Ivan Angelo

    Ática
    1984
    114 páginas
    3h 48m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.5
    2 avaliações
    Leram2Lendo0Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados1Avaliaram2

    Coletânea de crônicas feitas por escritores nascidos em Minas Gerais.

    Resenhas (1)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich10/09/2019Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Como se escreve em Minas! Pois um dia, ainda nos anos 80, alguém decidiu juntar todos os mineiros que escreviam crônicas e publicar uma coletânea com duas de cada um. Assim saiu “Crônicas Mineiras”, que conta com participação de gente conhecida, como o Drummond, o Fernando Sabino, o Guimarães Rosa, o Affonso Romano de Sant’Anna. Mas, curiosamente, nenhum deles está entre os destaques do livro. Nem mesmo Paulo Mendes Campos. Quem venceu neste livro foram mineiros mais desconhecidos, como Franklin de Salles, Lúcia Machado de Almeida, Rachel Jardim, e um bem conhecido, mas não pelas crônicas: Ziraldo. O criador do Menino Maluquinho cometeu “O Haicai”, uma crônica confessional entre as mais emocionantes que já se escreveram nas Gerais e fora delas. E de quebra fez ainda “Reminiscência”, bonito relato do seu passado mineiro e que termina com um surpreendente humor. Rachel Jardim também usou a memória para fazer duas das crônicas mais belas do livro. Parece Clarice no Recife. Lúcia Machado de Almeida escreve parecido e também produziu páginas bem sensíveis. Já Franklin de Salles descreve de maneira descontraída sobre o cotidiano da cidade e suas histórias de amor. Como não poderia deixar de ser, um livro de crônicas mineiras também conta com muitos causos. Com essa característica, há textos de Ângelo Prazeres, Brasil Borges, Elza Beatriz de Araújo, Márcio Rubens Prado, Drummond e Fernando Sabino. Vários deles são realmente divertidos. Drummond também faz uma crônica difícil de observação do cotidiano. Ivan Ângelo faz uma descrição praticamente braguiana de um episódio observado na rua. E o noticiário, tradicional fonte para a crônica, serviu para inspirar um texto de Affonso Romano de Sant’Anna, os dois de Moacir Andrade (que cria fantasias em cima do jornal) e também os dois de Henfil (certamente as crônicas mais incisivas e irônicas). Há muito canto de Minas também. Cronistas falando e, em geral, exaltando Minas Gerais. Fernando Sabino, Gilberto Mansur, Danilo Gomes (este faz um tipo diferente de crônica, basicamente histórica, mas cujo resultado acaba sendo a mesma exaltação mineira). E também o Paulo Mendes Campos. É possível dizer que Guimarães Rosa escreveu três crônicas no livro, e uma delas é do Paulo Mendes Campos. Basicamente, trata-se de uma experiência formal em louvor a Minas Gerais. E com a mesma dificuldade de compreensão das crônicas de Guimarães Rosa – as crônicas de Guimarães Rosa são exatamente como se imagina que seriam, e consequentemente impublicáveis em jornais. Fora isso, há ainda uma boa melancolia num dos textos de Brasil Borges e em Elza Beatriz de Araújo. Affonso Romano fez também uma análise comportamental. Lindolfo Paoliello usou a mulher para fazer o mesmo que os outros fizeram com Minas: cantá-la. O que Fernando Telles fez é crônica só por formalidade, pois no fundo é poema em prosa – e dos difíceis. O poeta Djalma Andrade fez comparação com o passado em meio a versos. Seu filho Odin de Andrade produziu uma alegoria política e uma observação meio lírica de um fenômeno natural. Estes foram os escritores de “Crônicas Mineiras”, obra que, se não tem os textos mais representativos de todos os cronistas, ao menos indica novos nomes a serem conhecidos no gênero.

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    Carlos Drummond de Andrade

    Nasceu em Minas Gerais, em uma cidade cuja memória viria a permear parte de sua obra, Itabira. Posteriormente, foi estudar em Belo Horizonte e Nova Friburgo com os Jesuítas no colégio Anchieta. Formado em farmácia, com Emílio Moura e outros companheiros, fundou <i>A Revista</i>, para divulgar o modernismo no Brasil. Durante a maior parte da vida foi funcionário público, embora tenha começado a escrever cedo e prosseguido até seu falecimento, que se deu em 1987 no Rio de Janeiro, doze dias após a morte de sua única filha, a escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas.

    198 Livros
    2.101 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Drummond de Andrade