Este livro concentra, em deliciosas crônicas, uma grande lição de vida, resultado de muitos anos de observação de relações pessoais, matéria-prima moldada com perfeição pela autora. Sob seu olhar atento e bem humorado, podemos perceber o quanto é rico o cotidiano que teima em passar despercebido. Escritos de forma apaixonada, os textos refletem aspectos da vida familiar e da vivência corporativa, mesclados com recordações da infância e da adolescência. Imperdível para quem, como a autora, fascina-se pela riqueza das relações humanas, suas alegrias, preocupações e com as pequenas conquistas e frustrações do dia-a-dia. Por fim, é inevitável a identificação com algumas das situações descritas, afinal, este livro foi escrito justamente para revolver nossos sentimentos mais profundos. Em suma, uma obra que trata da vida real. Se por acaso alguma crônica não condiz com a realidade, é porque a autora se antecipou aos fatos. Déjà vu. Simples assim. R.H.
Abelhas sem Teto e outras crônicas -
Vany Grizante
Das ‘abelhas’ uma telha e muito boas sensações
Acredito que todo autor ou autora, se não gosta, pelo menos tem a curiosidade de saber o que sente o leitor ao ler qualquer de seus escritos, e eu, sempre que posso, dou esse ‘feedback’. Por isso não digo que meus comentários sejam resenhas, prefiro chamá-los de registro de sensações. Sensação de uma gostosa conversa, inteligente, foi a que eu tive ao ler Abelhas sem Teto, livro da colega Vany Grizante que, muito gentilmente, presenteou-me com um exemplar. Em minha biblioteca, poucos ainda são os livros com dedicatória do autor ou autora e por isso considero-os tão especiais. Sim, mas vamos às minhas impressões: Vany Grizante é arquiteta, escritora e mãe. Neste pequeno livro de crônicas ela nos deixa conhecer aspectos do seu trabalho, história, dia-a-dia, do seu pensar e, o mais importante: sua observação peculiar. Sem cair no artificialismo ou no banal, este livro foi escrito de maneira simples mas aborda questões que ficam e germinam frutos na cabeça de quem gosta de pensar. A leitura das noventa e uma páginas flui como uma boa conversa e não deixa passar em branco a intimidade da autora com a arte de escrever. Numa época em que livros são tratados meramente como produtos, quando muito autores só pensam em vender, é um prazer imenso encontrar pessoas talentosas cujo objetivo claro da escrita é comunicar e escrever por puro prazer. Faço anotações enquanto leio e dentre as crônicas que mais me marcaram, destaco: Cachorros modernos, Deus protege os irresponsáveis, Judas crucificado e Urbanidades, todas ótimas, por sinal. A história das abelhas jataí, que dá título ao livro, é bem interessante, e não deixa de nos dar amostras do material sólido de que é feito um admirável ser humano e um dedicado profissional. Como bem observou a colega Maria Iaci, no prefácio, este livro é “um feliz casamento da arquitetura com a literatura”. Do teto do livro, uma telha aqui vai: “Ter amigos inteligentes é uma bênção com a qual fui regiamente agraciada. É com eles que se pode discutir assuntos inusitados e é dessas discussões que muitas vezes surgem idéias interessantes, boas risadas e inspiração para o exercício da escrita”. Verdadeira é a recíproca, Vany e Maria. Assim sendo, esta é uma leitura que só posso recomendar: Abelhas sem Teto e Outras Crônicas, de Vany Grizante, Editora All Print (2010). Comentário originalmente publicado por Helena Frenzel em bluemaedel.blogspot.com
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