Bom, em primeiro lugar, o livro é absolutamente lindo: a capa dura, as páginas (é pesado!), as muitas fotografias que mostram a vida íntima do pai da psicanálise. Porém, é claro que não é esse o seu maior valor.
Como diz na descrição, a "mais curta crônica", como ele nomeava seu "diário", consistia apenas e marcações extremamente concisas sobre acontecimentos de sua vida (como, por exemplo, a morte de alguém, alguma das situações sociais e políticas que borbulhavam na Viena da época anunciando a segunda grande Guerra). O mais legal (além de uma cópia do "diário" original) é que há, abaixo de cada lacônica anotação de Freud, um tipo de investigação e explicação sobre a que ele está se referindo. Ainda que em algumas situações seja bem claro, em outras é bastante misterioso, tendo de ser feito um processo investigativo mesmo, sem se chegar a uma conclusão definitiva, mas sendo muito rico o caminho percorrido.
Então, é uma leitura muito prazerosa (visualmente também!) que nos mostra os últimos dez anos de Freud com seus pensamentos íntimos sobre si, sobre os que o rodeavam e sobre o mundo. Não vejo necessidade da pessoa ser iniciada no universo de Freud ou da psicanálise para apreciar o livro, pois vai muito além da psicanálise, falando sobre uma época da história a partir da vida de um gênio.