No andar do tempo - Iberê Camargo 'Vive por uma distração de Deus', assim Iberê termina o primeiro conto O Mosquito. Alguns contos me lembraram pela forma de narrá-los, histórias infantis, mas a lembrança parou aí, Iberê marcou os escritos pela ironia, pela forma de brincar com coisas tidas como sérias - como é o caso de Deus. 'Desde a criação do mundo, Deus entretém-se neste jogo: castigar e premiar suas criaturas. Assim distribui catapora para uns, sarampo para outros e males muito maiores' conto: Sacos de Deus. Iberê era tão bom contador de histórias como era com pincel nas mãos, os contos embora curtos e de linguagem fácil atingem certa dimensão metafísica, como por exemplo, em O Colchão, quando a presença do utensílio no ateliê do pintor (não sabemos se o fato é verdadeiro ou apenas fruto da imaginação de Iberê) o atormenta a ponto dele cortar o colchão com um punhal assim como um cirurgião, as palhas do colchão ele as compara com as vísceras de um humano... Iberê é catártico. O livro conta ainda com as ilustrações de Iberê, o que dar um charme total a edição, para quem não conhece nada do artista é possível em um único livro conhecer seu lado pintor/escritor de uma única vez. Com certeza esse é um livro que será relido algumas vezes e fica aqui a minha indicação para vocês conhecerem mais da obra grandiosa de Iberê Camargo.

