A Franco-Maçonaria (Gnose #28) - Origem-História-Influência

    Robert Ambelain

    Ibrasa
    1985
    244 páginas
    8h 8m
    ISBN-10: 8534800995
    Português Brasileiro

    Frequentemente mal-compreendida quanto à sua verdadeira natureza filosófica, quanto às suas reais origens históricas e políticas, até mesmo no âmbito de seus próprios historiadores, a Franco-Maçonaria constitui-se, há séculos, numa entidade altamente participante da história política e social do Ocidente. Esta é uma obra fundamental e abrangente para o estudo da Franco-Maçonaria.

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    Luiz Eduardo Carvalho31/12/2022Resenhou um livro
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    Hiram, o símbolo Luciferiano da maçonaria

    Livro: A Franco-Maçonaria: Origem - História - Influência. Autor: Robert Ambelain Robert é um Maçon, logo na nota introdutória somos apresentados à sua carreira, mas além disso também é um literato e historiador, sua proposta no livro é comentar sobre às origens da maçonaria, seus ritos, conhecimentos, linguagem em correspondência a atualidade, visto que com o tempo a noção de que tudo "corrói", está obra tem o objetivo de rememorar acontecimentos e conhecimentos para que hoje, principalmente, o Maçon tenha posse de sabedorias passadas, mas que também o leitor curioso possa se informar, visto que a curiosidade também é a mola propulsora de todo o conhecimento, nas próprias palavras do autor. O livro é composto de 24 capítulos, fora conclusão, nota do editor, prefácio, introdução e etc. Alguns temas comentados são: A Lenda de Hiram, e diversas ramificações do tema que o livro expõe; Os Reis Fancro-Maçons; A excomunhão por Clemente XII; Lojas Militares; Mestres Escosses; Espiritualismo; Marxismo e ditadura; Rituais Operativos antigos; Antigos Deveres da Franco-Maçonaria; Irregularidade da Loja da Inglaterra; E alguns outros... O autor expõe que a Maçonaria possui origem nas ordens de cavaleiros (templários, teutônicos, portaglaivos, santo sepulcro), dos construtores e artesãos como pedreiros, ferreiros, fundidores e carpinteiros. Possui também uma divisão de 3 níveis principais: Aprendiz, Companheiro e Mestre. A instituição preza pelo comportamento moral do iniciado, incluindo em seu sistema interior seus próprios ritos de julgamento com base em suas legislações e estatutos. Possui também o propósito de unir todos que pensam diferentes, colocando os ensinamentos maçônicos acima das diferenças ideologias e religiosas de cada indivíduo. Quanto a isso é citado também que não é impeditivo que alguém possua uma ligação com algumas das 3 grandes religiões do Ocidente, o cristianismo, judaísmo  e o islamismo, ainda que tenha um capítulo específico para explicar a distinção entre que separa o maçom do católico, bem como outro que explique que a partir do papa Clemente XII, a aproximação com a Maçonaria resultaria na sua excomunhão. Um dos temas mais interessantes, e esclarecedores, do livro é a Lenda de Hiram, que segundo a tradição, era o arquiteto do templo de Salomão, que ao começar um projeto específico ao começar a fundir alguns materiais, eis que um de seus ajudantes cai no fogo e então, em seguida, Hiram se depara com Tubal-Caïm, este lhe revela o Evangelho Luciferiano, que explica a origem do homem. Segundo o Evangelho, duas entidades Adonai e Iblis, o primeiro pertencendo a matéria é ligada à Terra, e o segundo pertencendo ao espírito e ligado ao Fogo, entram num embate quando Adonai cria o Homem para ser seu escravo, enquanto Iblis, juntamente com diversos anjos, fornecem a inteligência e a sabedoria por meio do Fogo, a genealogia começa a se formar. Eva possui dois filhos, um com Adão, tornando-se Abel, enquanto o outro, Caim, sendo fruto do relacionamento de Eva com Iblis. Adonai recusa aceitar Caim, mas aceita Abel e suas oferendas sangrentas, quando a inteligência de Caim torna-se um castigo para ele, assim Adonai enfurecido decide no futuro destruir a civilização, descendente de Caim com o dilúvio, mas graças aos Anjos de Iblis, revelando o plano para Noé, a civilização se mantém a salvo. Nessa perspectiva, Caim é visto como aquele que foi recusado por Deus, Adonai, aquele que se opõe a ele. Muitos contos possuem a mesma essência, dentre eles o mito de Prometeu, a queda dos Anjos, o Querubim Samaël, Nemrod, Noé e etc. A serpente, do Paraíso, é aquela que alerta os homens para que comecem do fruto para tornarem-se iguais a Deus, mas que Deus não queria que tornassem conhecedores da verdade. Hiram, é aquele que de posse desse conhecimento, irá tomar posse de Balkis, uma mulher que Salomão queria desposar e descendente da linhagem de Caim e Iblis, eles teram um filho, mas Hiram é morto, surgindo então o nomeado "filho da viúva" e com isso a tradição maçônica. Com base nisso, começa a surgir uma raça de homens que não precisa estar ligada à instituições ou a Deus, para ser espiritualizada. E sobre esse tema, o livro também aborda, em alguns capítulos muito interessantes a importância de se repudiar tanta o materialismo, marxismo, qualquer tipo de totalitarismo, bem como o ateísmo; a questão da imortalidade da alma, a religação espiritual que uma vida espiritualidade produz e a instituição acredita, bem como a defesa da livre expressão, coisa que os totalitarismo, incluindo neles o marxismo, tentam e colaboram para a decadência da tradição, é reconhecido que um verdadeiro maçom perderia seu tempo numa célula comunista, ainda que seja sabido que há comunistas dentro da maçonaria. "Qualquer que seja a autoridade de que revista um Grão-Mestre, ou da qual se invista um Conselho Supremo, um e outro deverão observar, "sem escapatória possível", os princípios da Franco-Maçonaria Universal, o primeiro dos quais é a tolerância, o respeito às opiniões de outrem, a suas crenças e a sua pessoa. Já os comunistas, pelo contrário, têm como ponto pacífico, desde o início, que um pequeno grupo de homens reunidos num Comitê Central, emanado de eleições sucessivas e crescentes, têm assim o direito de dispor do pensamento dos outros sem consultá-los. Num regime comunista, aquele que ousar levantar-se contra a decisão onipotente do Comitê Central se expõe à deportação, ao internamento psiquiátrico, dos quais retamente retorna. Não apenas o indivíduo já não é livre para agir segundo sua consciência, como também se lhe proíbe pensar de outra maneira que não a regra ditada pelo Comitê Central. Se por acaso esta vier a mudar, o indivíduo, então, deverá modificar sua maneira de ver, pois o que ontem era lícito torna-se hoje ilícito." (Robert Ambelain, p.184) A natureza espiritual e simbólica da maçonaria, incrementam os conhecimento  práticos e materiais que a tradição maçônica possui, dando um aspecto mais intelectualizado pros conhecimentos da maçonaria, mas que foram ridicularizados por nomes como Montesquieu e Voltaire, por exemplo. A própria lenda de Hiram, é muito significativa, visto que simboliza a morte de um membro para ascender ao grau de Mestre. "[...] Assim, por uma lenta evolução, as lojas operativas foram pouco a pouco transformando-se em sociedade de pensamento, as cerimônias de iniciação transferiram seu simbolismo do plano material para o plano intelectual. Mas, durante todo o século XVII, os ritos permaneceram os mesmos, simples mas eficientes, levando-se em conta a importância absoluta que o homem honrado dava à sua palavra e a seu juramento." (Robert Ambelain, p.34) "A análise dos rituais preliminares, a saber, os de Aprendiz e de Companheiro, denota apenas uma preparação psíquica para o primeiro, com seus "batismos" purificadores pelos elementos Água, Ar e Fogo. O do segundo exprime apenas uma orientação intelectual e filosófica. Mas nenhum desses dois graus iniciais constitui uma verdadeira transformação, que só o de Grau de Mestre pode pretender. Em que consiste, pois, sua particularidade? No fato de que o Companheiro vai sofrer uma morte simbólica, que se deverá traduzir por uma inumação fictícia, conscientemente aceita pelo recipiendário, durante a qual ele deverá ser estendido em decúbito dorsal sobre o solo, com a cabeça para o Oeste, de modo a levantar-se com o rosto para o Oriente, onde o sol renasce a cada dia." (Robert Ambelain, p.76) Particularmente achei que o livro tem suas "complicações", o fato de ser escrito prioritariamente para Maçons, limita em bastante o entendimento, ainda que não seja exclusivo e seja acessível ao leigo, por vezes algumas frases, sentenças, e até explicações, ficam um pouco comprometidas justamente por conta disso, abarcar dois públicos que não não estão em pé de igualdade referencial, em alguns momentos o livro consegue ser muito explicativo, outro momento condençado e com compreensão fechada, e em outros momentos extremamente, na minha opinião, desnecessário ao ficar abordando nomes, acontecimento, datas e documentos em demasia, deixando explicações de lado. Funciona para algum tipo de consulta, mas como livro de primeiro contato com o tema, eu não recomendaria, ainda que alguns capítulos sejam muito bons. Como livro tem também suas particularidades boas, no índice, por exemplo, temos um pequeno resumo do que se trata cada capítulo norteado o leitor para os assuntos específicos que serão tratados no capítulo, também possui no início uma espécie de dicionário de termos para que entendamos um pouco a linguagem utilizada pela maçonaria, todos os capítulos também possuem notas explicativas, ainda que eu prefira o sistema de notas de rodapé, em comparação ao notas de fim, penso que é melhor ter notas explicativas do que não ter, livros que não possuem nota nenhuma pecam por esclarecer mais o leitor. "Muito antes de dar origem à Maçonaria Especulativa, sua grande irmã contemporânea, a Maçonaria Operativa havia, desde a Idade Média, criado uma linguagem simbólica, com imagens plenas de substância, porque o pensamento livre, ciosamente conservado nos cérebros de elite, não corria, assim, o risco de se prostituir. As antenas sutis, que o espírito humano por vezes lança no misterioso mundo dos arquétipos e dos universais, captam com muita frequência conceitos cujas imagens fugazes dificilmente permaneceriam no consciente do homem, não fosse a ação dos Símbolos, que, como passarelas lançadas entre a carne e o espírito, nos permitem percebê-las, representá-las e traduzi-las. Mas  essa vida dos Símbolos, o homo faber contemporâneo já há muito a afastou de suas atividades profissionais! Os meios que se preocupavam com seu futuro encarregaram-no de separar-se dela. E, em nossos dias, o que a Maçonaria Especulativa havia conservado de sua herança operativa é cada vez mais contestado quanto a sua importância e sua utilidade. Digamos francamente, a Franco-Maçonaria, no conjunto, seguiu o mesmo declínio involuntário da Igreja, sua irmã gêmea e sua rival; o materialismo invadiu os templos, a mediocridade foi ampliada pela quantidade, e o que se devia limitar a uma discreta tolerância tornou-se um laxismo agressivo. Como disse alguém, a mentalidade moderna, em seus múltiplos aspectos, nada mais é que o produto de uma vasta sugestão coletiva, exercida continuamente durante quase quatrocentos anos em todos os domínios: religioso, político, familiar, individual, e visando arrancar ao homem suas raízes espirituais. [...] Aos primeiros (Franco-Maçons) a levar a sério seu papel de "construtores" na sociedade do novo milênio." (Robert Ambelain, p. 22)

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