A Felicidade - Ensaio sobre a alegria

    Robert Misrahi

    Difel
    2001
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 8574320161
    Português Brasileiro

    Os filósofos que hoje em dia consideram impossível a felicidade não fazem outra coisa senão prolongar uma corrente que, de Platão a Kant, sempre procrastinou a realização. Dessa forma, eles esquecem outra corrente que, de Aristóteles a Ernst Bloch, passando por Spinoza, havia aberto uma outra vertente, fazendo da felicidade a alegria em ato: ao mesmo tempo primeiro objetivo do pensamento e cerne de uma existência feliz e significativa. Esse projeto não é inviável, muito menos impensável: a reflexão, quando transfigura o desejo, coloca a felicidade à nossa porta.

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    Jessica Azeredo picture
    Jessica Azeredo08/10/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Pois só se pode saber o que é possível depois da prova da tentativa: é depois da ação que se definem os limites e as superações." p.23 O livro passa por um processo elucidativo que vai desde o conceito de realidade até o conceito de alegria. Tem como os filósofos mais citados Ernst Bloch e Spinoza, os quais muito tiveram a dizer a respeito desse tema. Acredita-se que o estado de felicidade é atingido após a realização dos seus maiores anseios durante toda a vida, rumo a uma perfeição definida pela própria pessoa. O conteúdo desse anseio é pessoal e coloca-se dentro de princípios éticos. Esse itinerário da felicidade tem, em seu fim, a liberdade e satisfação através de um sentimento de plenitude e de significação. Existe uma linearidade para atingir esse sentimento de realização. Segundo o autor, "o prazer limitado ao instante extravia-se no absurdo e na angústia", ou seja, ele deve ser durável e envolvente. A exemplo da fruição da arte. Os filósofos afirmam que o desejo é a própria movimentação da consciência, pois a felicidade não se dá pela passividade, mas sim, pela reflexão e ações conscientes e motivacionais. O indivíduo deve encontrar motivação no estar vivo e nos pequenos objetivos que tragam a sensação de satisfação e alegria. A ausência de significação traz a infelicidade. Logo, o sentimento de tédio e de absurdo é resultado de uma vida vivida de modo medíocre, sem objetivo tampouco significação. "O homem que não tem constantemente em seu espírito uma imagem optativa de sua própria perfeição é tão monstruoso quanto um homem sem nariz." p.20 Penso eu que o livro poderia ter sido mais sintetizado sem excesso de repetições, embora mesmo cansativo ele se faça compreendido.

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