A arte renascentista foi sucedida pela maneirista e esta pela arte barroca, não como um declínio, mas como evolução natural para um estilo posterior. Por comparação ao Renascimento, o Barroco já não é táctil, mas sobretudo visual. Não se preocupa com a linearidade e não é composto por planos bem definidos. Na pintura barroca, por exemplo, há o predomínio da profundidade e da perspectiva. Se no Renascimento haviam partes coordenadas de forma lúcida e linear, o Barroco possui partes subordinadas a um conjunto, que é aberto ao espectador e, portanto, permite a interação, a interpretação subjetiva da obra. Precisamos considerar o fato de que o Barroco é estreitamente vinculado a uma ideologia teocêntrica, o que lhe confere unidade espiritual. O Barroco enquanto estilo manifestou-se como arte de atributos morfológicos, apropriados à expressão do modo de vida teocêntrico, proposto pela Contrarreforma em reação ao Renascimento decadente, e de modo a traduzir-se em todas as manifestações artísticas da época. O homem barroco pode ser compreendido como um ser contraditório em sua natureza, em constante estado de conflito, que lamenta a perda do paraíso e ao mesmo tempo se deixa seduzir pelo mundo e pela sensualidade das formas. O artista barroco é, portanto, dual e permanentemente dilacerado por conflitos psicológicos e sociais. Por isso, a arte barroca apresenta como características típicas: o fusionismo (união dos detalhes num todo orgânico), o claro-escuro pictórico, o eco e as redundâncias, a união do racional e do irracional (expressa nas figuras estilísticas, como o paradoxo), a ambiguidade, o caráter excessivo, grandioso e ornamental (proclamado no exagero de figuras estilísticas), as figuras de estilo que traduzem o estado de conflito e tensão espiritual (antíteses, hipérboles, reiterações, metáforas); o emprego constante dos concetti, da agudeza nas descrições, do estilo conhecido como genus humile, da forma epigramática, por vezes rebuscada e em outras vezes muito breve. Por causa desta natureza ambígua, o Barroco pode ser compreendido como um estilo predominantemente filosófico, de pensamento e natureza estética bem definida. As autoras Jeanne Paganucci e Zilda de Oliveira Freitas apresentam suas ideias e leituras da obra barroca aos leitores brasileiros, em um livro que interessará aos apreciadores da arte barroca e ao público em geral.
