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    EDUCAÇÃO OU DOUTRINAÇÃO AMBIENTAL? - Análise retórica dos discursos de ambientalistas latino-americanos

    Tarso Bonilha Mazzotti

    Poiesis Editora
    2013
    110 páginas
    3h 40m
    ISBN-13: 9788561210243
    Português Brasileiro
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    Educação ou doutrinação ambiental? O título estranho, pois a educação ambiental é o ensino de conceitos originados da Ecologia, das Ciências Ambientais, portanto trata-se de educação, não de doutrinação. Esta se caracteriza pela propaganda de uma causa, de uma ideologia, em que os alunos são meios para os seus fins. A doutrinação só pode ser evocada quando se trata de ideologias como a fascista, nazista, estalinista, racista nunca para o ensino de conceitos científicos, como é o caso da educação ambiental. No entanto, a disjuntiva do título não é arbitrária e expressa um problema: há um consenso ambientalista, assumidamente político, sustentado na ideologia naturalista que adapta os conceitos científicos ao seus quadros conceituais e orienta a educação ambiental, e esta tem por meta conquistar os alunos para a causa ambiental. Nos livros didáticos, nos exames extra escolares, nas comemorações do Dia da Árvore, da Água, do Índio e assim por diante, os discursos enfatizam a “consciência ambiental” ou “ecológica” como qualidades superiores. Os meios de comunicação repercutem as campanhas dos ambientalistas, apoiam as suas causas. A indústria e o comércio procuram ativamente agregar um “selo de qualidade ambiental” em seus produtos e marcas para persuadir os consumidores da superioridade de suas mercadorias e serviços. Afirma-se que este ou aquele alimento, ou bebida é melhor por ser natural... Por essa via, os fitoterápicos são superiores aos fármacos produzidos por sínteses químicas, bem como o uso do própolis, um antibiótico de largo espectro, é considerado melhor do que os produzidos pela indústria. Nos rótulos lê-se “sem produtos químicos”, portanto não existem, o que é irrelevante, uma vez que “todos entendem” trata-se de substâncias químicas prejudiciais à saúde humana. De fato, muitos entendem que a ciência Química é a responsável pela poluição, deterioração da natureza, medicamentos agressivos, sendo preferível os fitoterápicos que “não têm química”. E as ciências e as técnicas modernas são caracterizadas, desde a década de 1960, como os cânceres do Planeta, um mal a ser extirpado pelo desenvolvimento da consciência ecológica ou ambiental. A ideologia naturalista, da qual a ambiental é sua representação social, considera as ciências as suas inimigas, portanto não é uma exposição de conceitos científicos, mas uma propaganda para conquistar adeptos, o que é característico da doutrinação.

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