Profecia é o tomo que fecha a trilogia Legend of Raython, da multicriativa e hiperprodutiva Kamila Zöldyek. Saliento inicialmente que a autora merece vivas, pois criou um universo próprio, um estilo de escrita próprio e conseguiu escrever três livros sempre se superando, já que Ethernia é um ótimo livro, Maldição é ainda melhor, e Profecia supera os dois primeiros, e digo isso sem nenhuma relutância.
A história dá continuidade aos acontecimentos dos dois volumes anteriores, no entanto, vemos um salto temporal bem maior que entre os livros I e II, além disso, apesar de continuarmos com Raikou e Elektra, os papeis não são mais os mesmos, já que Kamila introduz, sabia e competentemente, novos personagens e novos protagonistas. Essa escolha dá novo fôlego à história, já que temos novos conflitos e novas personalidades.
A linguagem usada e o estilo da escrita permanecem os mesmos, ainda que notemos a evolução da autora. Surpreende também o modo com os romances são tratados, sem triângulos amorosos melosos e irritantes. O romance existe, sim, e tem uma grande importância para trama, inclusive em seu desfecho, mas está colocado em seu devido lugar. O livro fala de adolescentes, mas sem parecer que foi escrito por eles. Apesar da pouca idade da autora, sua maturidade em desenvolver a narrativa é visível e louvável.
Seguindo o que já fora feito nos outros volumes, as informações são dadas pela metade, e aos poucos os mistérios são elucidados, sempre com altas doses de tensão. O clímax se dá de forma sensacional, onde acompanhamos as batalhas em vários reinos distintos, quando a autora leva as lutas ao extremo e “corta” a cena para outro ambiente, com outros personagens, prendendo o leitor com muita habilidade.
A batalha final é simplesmente épica, e narrada sem concessões, afinal, uma guerra nunca é bonita e o escritor que faz assim parecer, não fez bem o seu trabalho.
Profecia fecha a Trilogia com chave de ouro, e mostra que Kamila Zöldyek nasceu para escrever, e os leitores que fiquem agradecidos e aproveitem enquanto suas obras são disponibilizadas gratuitamente, pois eu ouso profetizar que em breve filas deveram ser enfrentadas para se obter um autógrafo.