Não Violência - a história de uma ideia perigosa

    Mark Kurlansky

    Objetiva
    2013
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788539004287
    Português Brasileiro

    A história de uma ideia perigosa Com prefácio do Dalai Lama ”A não violência, exatamente como a violência, é um meio de persuasão, uma técnica de ativismo político, uma receita para prevalecer. (...) Formas de persuasão que não usam força física, não causam sofrimento, são mais eficazes.” Grandes conquistas, ao longo da história, foram alcançadas através da não violência. Desde suas origens aos grandes ativistas, passando por Jesus Cristo, Buda e Maomé, até Gandhi e Martin Luther King Jr., Mark Kurlansky traça o caminho da não violência e mostra que muitas ideias modernas, como a União Europeia, as Nações Unidas e a abolição da escravatura, originaram-se desse movimento. Segundo o autor, a história do mundo é uma história de guerra. São ensinadas suas causas e consequências, além da sua importância na formação de culturas e estabelecimento de novos regimes. Assim, os conflitos acabaram consagrados como métodos dominantes de conquista e reconhecimento de territórios e ideias. Seria possível, entretanto, chegar aos mesmos resultados de outra maneira? Aqui, Mark Kurlansky mostra que sim. Ações que dispensam a força física podem ser tão ou mais eficazes do que soluções bélicas. Articulado e questionador, o autor propõe um olhar no qual a guerra não é solução, mas a perpetuação do problema. Ao longo de Não violência, ele aponta os diferentes motivos para as guerras ao longo do tempo. Junto a eles, estão as contradições em decisões como as cruzadas religiosas e o intervencionismo de George W. Bush, que fomentaram conflitos por razões questionáveis. Exemplos como o Vietnã, abordado com frequência no livro, foram catalisadores de movimentos civis a favor da paz. Filósofos opositores das guerras e líderes de campanhas pacíficas foram alvo de grupos de poder, por meio de investigações, sabotagens e da própria violência. Exemplos que Kurlansky apresenta demonstram que a guerra é ineficaz para se alcançar a paz. Ele desconstrói também um argumento comum aos defensores dos conflitos bélicos: a ideia de que o homem é, em sua natureza, um ser violento. Com um grande leque de referências, o autor deixa clara também a diferença entre a não violência e o pacifismo – o último não se compromete com a ideia de atuação ativa, enquanto a não violência é aplicada com o intuito de agir por mudanças. É, ao final, um estudo sobre as guerras e seu papel, interesses econômicos, as religiões e a forma como conflitos podem ser resolvidos.

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    Diego Caldas Chaves24/07/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    No primeiro capítulo, Seres Imperfeitos, desenvolve a ideia de que a não-violência esteve presente em praticamente todas as religiões, porém, é vista como algo a ser alcançado apenas pelos mais fortes e determinados a caminharem na direção do aperfeiçoamento. No segundo capítulo, "O problema dos Estados", ele demonstra que com o passar do tempo, quando a religião se imiscui com assuntos do Estado, a busca pelo poder acaba se tornando mais importante do que a busca pela perfeição e as ideias da religião são subvertidas em prol da manutenção do poder nas mãos de um grupo que governa o Estado. E assim, tanto no judaísmo, quanto no islamismo, no cristianismo ou no zen-budismo, as ideias não-violentas vão sendo substituídas pouco a pouco e os fiéis a este princípio vão sendo eliminados e transformados em santos posteriormente, pois é melhor um santo morto do que um revoltoso vivo. No terceiro capítulo, "O Matador movimento pela paz", o autor mostra como diversos movimentos de cunho pacifista com o passar do tempo foram manobrados até se converterem no seu oposto, usando a paz como uma justificativa para fazer guerra. Urbano II com as cruzadas, por exemplo, demonizou os muçulmanos e voltou os movimentos de "Paz de Deus" e "Trégua de Deus", como movimentos que deveriam manter a paz para os cristãos, o que justificaria guerra contra infiéis. No quarto capítulo, criadores de problemas, ele exibe uma série de casos históricos de pessoas que se opuseram ao militarismo e as perseguições que sofreram: Cátaros, anabatistas, Dunkers, Quakers, movimentos na República Tcheca, etc. No quinto capítulo, "O dilema do povo não natural" o autor decorre sobre Quakers e outros grupos religiosos não violentos que foram para os EUA e fundaram uma colônia, Pensilvânia, com o intuito de darem um exemplo para o mundo, mas em menos de 80 anos, com a chegada de novos colonos, perderam o poder para aqueles que achavam um absurdo o governo do estado não pagar pelos escalpos dos índios mortos. Neste capítulo fala também da resitência não violenta na polinésia e seu líder, o chefe maori Te White. No sexto capítulo, "Revolução Natural", ele decorre sobre a independência nos EUA, colocando a tese de que a independência teria ocorrido somente com as ações não-violentas, porém, como as pessoas percebem o recurso violento como recurso válido e único possível, a guerra estourou. Antes dos primeiros tiros havia uma grande discussão entre os ativistas não violentos e os "Pais Fundadores", porém, depois que os primeiros tiros foram dados, quem defende a não violência passa a ser visto como traidor. No capítulo 7, "Paz e escravidão", o autor decorre sobre a escravidão nos EUA e o ativismo não-violento e de como a Guerra da Secessão americana, depois de deflagrada, foi vista por muitos destes ativistas como uma violência justa, pois se colocava contra um mal maior, a escravidão. Porém, depois do fim da guerra, os estados do sul criaram leis que dificultavam ainda mais a vida dos negros. No oitavo capítulo, "A maldição das nações", o autor trata do pacifismo europeu do século XIX que pregava o surgimento dos "Estados Unidos da Europa" e denunciava as situações que poderiam desencadear em uma guerra de proporções catastróficas, exortando que os estados deveriam abandonar a guerra, etc. Embora tenham tido algum sucesso em espalharem suas ideias, quando a primeira guerra começou a se delinear, mais uma vez aqueles que se punham como não violentos passaram a sofrer perseguições. Na Inglaterra surgiram os conchies, objetores de consciência, etc. Porém, uma guerra muito longa se torna impopular e ao final do conflito diversas vozes se levantaram contra uma nova guerra. No capítulo 9, "Uma guerra justa favorita", o autor trata da 2ª Guerra Mundial, de como o governo inglês e americano compactuaram com o crescimento do poder bélico nazista, pois viam nele um aliado contra o comunismo. Trata também de como a não-colaboração de países nórdicos foram eficientes contra a política de extermínio de judeus, ao mesmo tempo em que aliados sabiam da existência dos campos de extermínio, mas não faziam nada contra, pois para as populações de seus países dar ajudar aos judeus teria sido tão impopular quanto Lincoln dizer que a Guerra da Secessão era para libertar os negros. No décimo capítulo, "O domínio dos truculentos e a lei da gravidade", o autor trata de Gandhi e dos movimentos pelos direitos civis nos EUA. Rebate a ideia de que a não violência funcionou na Índia pois os ingleses eram civilizados, expondo a carnificina que o exército inglês promovia na região indiana que hoje é o Paquistão. O autor fala também de como o movimento indiano influenciou ativista negros dos EUA e como isso desembocou em M.L. King e outros grupos e como estes influenciaram na luta contra as armas nucleares. Mas como vários destes grupos, depois de anos sendo trucidados nas mãos da polícia, derivaram para movimentos violentos e foram reprimidos pelo poder estabelecido. No capítulo 11, "Surtos Aleatórios de Esperança", o autor trás casos que ocorreram na URSS, tal como a luta sindical em Varsóvia, a queda do muro de Berlim, a Primavera de Praga, cujo líder do movimento tinha pais pacifistas, que tiveram contato com quakers décadas antes. Fala também da derrubada do PRI no México, ou da África do Sul, que mesmo tendo desistido da não-violência nos anos 60, deve a derrubada do regime do apartheid em grande parte a estratégias de boicote e outras campanhas organizadas por Desmond Tutu nos anos 80.

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