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    Três Histórias da Cidade -

    Lúcio Cardoso

    Edições Bloch
    1969
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    6 avaliações
    Leram7Lendo0Querem2Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados2Avaliaram6

    Bairros do Rio de Janeiro, como Tijuca, o Catete, a Gávea e principalmente a Lapa, além dos subúrbios, são ativas personagens destas três novelas - 'Inácio', 'O Anfiteatro' e 'O Enfeitiçado' -, fornecendo não somente moldura, mas também sangue e nervos às personagens humanas, em cujo desespero e em cuja perplexidade. Coleção Roteiro das Edições Bloch, 1969.

    Resenhas (1)Ver mais
    Anto Nio picture
    Anto Nio06/09/2025Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Conheci o Lúcio por meio das cartas da Clarice Lispector, que já foi apaixonada por ele, onde ela elogiava muito sua escrita e citava alguns livros dele onde, dentre estes, estava Inácio, primeiro livro desta coletânea. Nunca li nada dele fora o livro que é objeto dessa resenha e é possível que este fato e minha procrastinação tenham afetado uma concatenação de opiniões menos diáfana. Primeiramente, o texto é riquíssimo em detalhes: o leitor é informado do estado de tudo e de todos o tempo inteiro, sabemos o que um personagem pressente e sente (mesmo quando este não sabe nomeá-la), a milimétrica descrição dos móveis e suas disposições em cena, os cenários observados pelas personalidades que desenrolam a trama, portanto, neste quesito, o autor tem uma ótima técnica. Quanto às tramas, tenho ressalvas: eu gostei dos três livros porém achei que O Anfiteatro, em relação à Inácio e O Enfeitiçado, ficou parcialmente deslocado por não ter nenhuma ligação direta com os outros dois. Todos os protagonistas possuem uma percepção afiada, sendo possível até "ler" uma pessoa somente em observá-la, e é nessa característica que a obra retira sua seiva: eles, o tempo inteiro, se veem e se sentem de fronte a algo inominável e iminente, dando uma carga de angústia e expectativa ao texto que tende a prender o leitor. Mesmo diante dessas qualidades, admito que não extraí boa parte do que o autor desejava transmitir, não sei se devido aos hiatos constantes em que essa leitura entrava, a linguagem utilizada, meu próprio raciocínio ou até o nível de dificuldade dos textos e de suas ideias, que são muito abstratas. Espero reler algum dia e ter uma experiência mais enriquecedora do que a esta primeira.

    3 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 6
    • 5 estrelas17%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Joaquim Lúcio Cardoso Filho  profile picture

    Joaquim Lúcio Cardoso Filho

    Lúcio Cardoso nasceu em Curvelo, Minas Gerais, a 14 de agosto de 1912 e faleceu em 28 de setembro de 1968 no Rio de Janeiro Devido ao assunto de seu primeiro romance foi agrupado entre os regionalistas; entretanto, sua produção tem muito mais afinidade com o grupo "espiritualista" de Cornélio Pena, Schmidt, Otávio de Faria, Vinicius de Morais. Cardoso era mais ou menos abertamente homossexual, o que se traduziu na sua obra como mais uma instância particular do tema geral da redenção possível de uma humanidade ontologicamente pecaminosa, que ele compartilhou com todos os seus colegas de movimento. Em 1966 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, por conjunto de obra. Em um universo ontologicamente dilacerado, com uma prosa cuja poesia dá vazão ao desejo transgressivo, os personagens se desnudam em tensões recriadoras da objetividade do mundo. Ao lado de Clarice Lispector e Cornélio Pena, ele foi o principal nome do romance intimista brasileiro, e realizou, com Paulo César Saraceni, o primeiro longa-metragem do Cinema Novo, além de seus romances terem sido adaptados para as telas. Ao ter de abandonar a escrita por causa de um derrame cerebral, recusou o afastamento da criação, passando a pintar belos quadros, ainda que com os poucos movimentos que lhe restaram.

    25 Livros
    62 Seguidores
    Minas Gerais, Brasil

    Joaquim Lúcio Cardoso Filho