Conheci o Lúcio por meio das cartas da Clarice Lispector, que já foi apaixonada por ele, onde ela elogiava muito sua escrita e citava alguns livros dele onde, dentre estes, estava Inácio, primeiro livro desta coletânea. Nunca li nada dele fora o livro que é objeto dessa resenha e é possível que este fato e minha procrastinação tenham afetado uma concatenação de opiniões menos diáfana.
Primeiramente, o texto é riquíssimo em detalhes: o leitor é informado do estado de tudo e de todos o tempo inteiro, sabemos o que um personagem pressente e sente (mesmo quando este não sabe nomeá-la), a milimétrica descrição dos móveis e suas disposições em cena, os cenários observados pelas personalidades que desenrolam a trama, portanto, neste quesito, o autor tem uma ótima técnica.
Quanto às tramas, tenho ressalvas: eu gostei dos três livros porém achei que O Anfiteatro, em relação à Inácio e O Enfeitiçado, ficou parcialmente deslocado por não ter nenhuma ligação direta com os outros dois. Todos os protagonistas possuem uma percepção afiada, sendo possível até "ler" uma pessoa somente em observá-la, e é nessa característica que a obra retira sua seiva: eles, o tempo inteiro, se veem e se sentem de fronte a algo inominável e iminente, dando uma carga de angústia e expectativa ao texto que tende a prender o leitor.
Mesmo diante dessas qualidades, admito que não extraí boa parte do que o autor desejava transmitir, não sei se devido aos hiatos constantes em que essa leitura entrava, a linguagem utilizada, meu próprio raciocínio ou até o nível de dificuldade dos textos e de suas ideias, que são muito abstratas.
Espero reler algum dia e ter uma experiência mais enriquecedora do que a esta primeira.