Coleção de histórias para crianças (Walter de la Mare). O conto que mais gostei foi o enigma (The Riddle). Sete crianças, Ann, Matilda, James, William, Henry, Harriet e Dorothea, foram morar com a avó em uma casa antiga e espaçosa, marcada por um grande pé de olmo. A avó, que já estava bastante idosa e frágil, presenteou cada uma das crianças com brinquedos e pediu que sempre a visitassem com sorrisos, lembrando-se de seu filho Harry. Contudo, ela alertou sobre um velho baú de carvalho no quarto de hóspedes, pedindo para que não mexessem nele. Com o passar das semanas, as crianças se acostumaram ao novo lar, embora Henry, atraído pela curiosidade, decidiu investigar o baú em uma noite. Ao abrir a tampa, não encontrou tesouros, mas um interior forrado de seda que exalava um aroma doce. Movido por lembranças de sua mãe, ele pulou dentro do baú, que fechou suavemente sobre ele. No dia seguinte, Ann comentou com a avó que Henry havia desaparecido. A avó, preocupada, pediu para que não se aproximassem do baú. Matilda, sentindo falta do irmão, acabou também se interessando pela caixa secreta e, levando sua boneca, fez o mesmo que Henry, se escondendo dentro do baú, que se fechou novamente. Os outros irmãos se divertiam em sua ausência. Enquanto brincavam, William e Harriet pretendiam ser a Bela Adormecida e o Príncipe, mas, apesar da advertência, acabaram se aventurando no baú também. A avó, cada vez mais debilitada, observava com tristeza a falta das crianças, sem conseguir entender a gravidade da situação. Com a queda da neve lá fora, as brincadeiras continuavam a acontecer no interior do baú mágico, enquanto a casa permanecia silenciosa, refletindo a solidão e mistério que estavam se acumulando em torno daquela antiga arca. Assim, enquanto Ann passava a noite sozinha lendo sobre fadas, a aventura mágica das crianças dentro do baú se aprofundava, levando-as a um mundo desconhecido e fascinante. Enquanto Ann se deixava levar pelo sonho, reclinando-se confortavelmente nos tecidos antigos do baú, o ambiente ao seu redor parecia distorcer a realidade. A avó, por sua vez, permaneceu na sua posição habitual na janela, observando o movimento da rua com um olhar apagado e curioso. Cada dia, ela se sentia mais fraca, a respiração se tornando mais curta conforme subia as escadas para verificar o quarto de hóspedes, onde a presença das crianças parecia agora uma memória distante. No silêncio da casa, a avó, cansada e solitária, tentava recordar momentos felizes de sua vida, entre risos e lágrimas de crianças que agora pareciam pertencentes a outra época. As sombras ao redor dela pareciam engrossar, enquanto seu olhar se fixava na luz tênue que entrava pela janela do quarto, sem conseguir perceber o perfume sutil que lembrava folhas de outono. Consumida por seus pensamentos, a velha senhora desceu novamente à sua poltrona, sentindo o peso dos anos e a saudade das vozes infantis que antes preenchiam o lar. Internamente, as crianças continuavam a explorar o mundo mágico dentro do baú, vivenciando episódios de alegria e aventura que contrastavam com a melancolia da avó. Ann, envolta na seda antiga, sentia dimensões irresistíveis ao seu redor, como se as linhas entre o sonho e a realidade estivessem se apagando, levando-a a um universo onde as preocupações não podiam alcançá-la. A conexão das crianças com o baú e sua fascinante jornada se expandia, enquanto as memórias da avó se tornavam mais nebulosas, refletindo uma vida marcada pela passagem do tempo e pela inevitável solidão.