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    Digam a Satã que o recado foi entendido -

    Daniel Pellizzari

    Companhia das Letras
    2013
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788535922899
    Português Brasileiro
    3.2
    219 avaliações
    Leram315Lendo14Querem295Relendo0Abandonos19Resenhas17
    Favoritos9Desejados295Avaliaram219

    Difícil dizer o motivo que levou Magnus Factor a prolongar sua curta estadia em Dublin, Irlanda, para uma residência fixa e negócio próprio na capital mundial da cerveja escura e da briga de rua. Fácil é precisar o momento embaraçoso em que tudo aquilo havia acontecido. Um milk-shake e duas palavras erradas de uma eslava, às vezes é tudo que basta para o sujeito ficar onde está. Numa encruzilhada de turistas e imigrantes, Magnus abre uma agência de passeios por locais mal-assombrados de Dublin, todos inventados por ele. Seus sócios vêm da Polônia e das ilhas Maurício, e mesmo o único irlandês do grupo, contratado para dar autenticidade à iniciativa, se diz nascido na “República de Cork”. É o pretexto para Daniel Pellizzari, de volta à ficção após oito anos, criar em torno de Magnus um espiral de loucura e desespero que vai envolver terrorismo poético, cultos obscuros, traficantes gregos, um antigo deus cobra irlandês e um pouco do velho e bom amor itinerante. Em Digam a Satã que o recado foi entendido, Pellizzari dá voz aos profetas e perdedores de Dublin, captando com humor e empatia seus discursos ora atropelados, ora ternos, em meio a sequestros de tesouros nacionais, virgens suicidas, videogames e o eventual assassinato. Narrados numa prosa que lembra Irvine Welsh, Junot Díaz e Roberto Bolaño, os encontros improváveis desses idiotas extraordinários conduzirão o leitor rumo à inevitável conclusão de que, como diz a placa no pub favorito de Magnus, HOJE É O AMANHÃ QUE ONTEM NOS PREOCUPAVA, E TUDO VAI BEM. Isso e um milk-shake. Às vezes é tudo que o cara precisa.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino12/05/2015Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    digam a satã que o recado foi entendido

    Pode ser que alguém ainda fique impressionado ao ler sobre sujeitos amalucados, trapaceiros e drogaditos, bebedeiras e traficantes, idiotas ligados a seitas religiosas, viciados em games e escatologia, mas definitivamente eu não consigo. Claro, eu sou um velho e cansado senhor, que já experimentou sua cota de literatura auto indulgente nesta vida, mas já se cansou destes malabaristas do verbo, simples assim. "Digam a satã que o recado foi entendido" é bem escrito, tem um par de bons diálogos e arrisca alguns experimentalismos interessantes, mas seus personagens e sobretudo os rasos dilemas existenciais que eles vivem são um porre só. O leitor precisa ser muito condescendente para continuar após as páginas iniciais e chegar ao fim do livro (que é pequeno afinal de contas). Nem vou me dar ao trabalho de descrever as tramas da narrativa e falar sobre o protagonista da história, Magnus Fortes, um sujeito que organiza roteiros turísticos alternativos em Dublin com a ajuda de dois amigos. Talvez seja o caso de esquecer de vez este livro bizarro. Nunca havia lido nada de Daniel Pellizzari, sobre quem tinha boas referências. Paciência. Talvez este livro seja apenas um desvio irrelevante de uma produção melhor, talvez, um dia veremos. [início: 02/08/2013 - fim: 19/10/2013] "Digam a satã que o recado foi entendido", Daniel Pellizzari, São Paulo: editora Companhia das Letras (coleção Amores Expressos), 1a. edição (2013), brochura 14x21 cm., 178 págs., ISBN: 978-85-359-2289-9

    6 curtidas

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    • 4 estrelas32%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas8%
    Daniel Pellizzari profile picture

    Daniel Pellizzari

    Nasceu em Manaus, em 1974, e é escritor, tradutor e editor. Em Porto Alegre, fundou com os amigos Daniel Galera e Guilherme Pilla a Livros do Mal, editora por onde publicou seus primeiros volumes de contos, Ovelhas que voam se perdem no céu (2001) e O livro das cousas que acontecem (2002). Publicou também o romance Dedo negro com unha (DBA, 2005). Traduziu obras de autores como William Burroughs, David Mitchell e David Foster Wallace. Em 2012, lançou em seu site a antologia Melhor seria nunca ter existido (Livros do Mal 2.0). Atualmente, mora em São Paulo.

    5 Livros
    24 Seguidores
    Amazonas, Brasil

    Daniel Pellizzari