Este livro é, em síntese, uma reflexão sobre algumas variáveis do conceito de “verdade” que sempre esteve presente na formação do pensamento de todas as sociedades. Acreditamos que, por meio de sua evolução histórica, possamos compreender sua formação como fundamento das crenças. O primeiro filósofo a formular as primeiras ideias sobre esse conceito na filosofia foi Parmênides, no século V.a.C, no seu poema Sobre a Natureza. Nesse poema, ele desenvolveu três vias para representar as formas de verdade do conhecimento e, assim, chegar à verdade. Em cada uma delas, procuramos interpretar as verdades concebidas em três camadas do conhecimento da sociedade em geral: senso comum e cultura de massa, conhecimento científico e conhecimento filosófico. Na primeira, percebemos que senso comum e a cultura de massa são inteiramente dependentes das verdades das diversas áreas do conhecimento científico, pois as aceitam como verdadeiras sem nenhum questionamento. Será que essas áreas do conhecimento científico dizem a verdade? Em nossa reflexão, temos que a verdade da segunda via é dual, constituída de dois conceitos, verdade e número, que compõem a unidade dos conceitos de verdade e de número. Essa unidade está presente em qualquer pesquisa científica, cujos resultados são confirmados por meio de dados numéricos, que permitem à comunidade científica justificar sua verdade. Assim, podemos afirmar que a “verdade do capitalismo” e a da segunda via do conhecimento científico são dependentes da associação de um ou mais conceitos. Além disso, a maioria que trabalha nesse campo do conhecimento é pouco versada em matemática, filosofia, ciência e lógica. Isso contraria o conceito de verdade, que tem como fundamento a essência pura do conceito. Foi nesse sentido que desenvolvemos um resumo bem-humorado de alguns aspectos da “verdade impura” que determina todas as áreas do conhecimento científico, utilizando o número como verdade da segunda via. Esses fatos cômicos só ocorrem em razão da falta de conhecimento do profissional em sua área específica. É claro que, na maioria dos trabalhos científicos, as pesquisas são sérias. Portanto, a verdade proposta por Parmênides, na terceira via, depende do conceito do uno para explicitar-se. Toda a área do conhecimento da segunda via depende, necessariamente, da terceira para sustentar suas verdades. Nesse percurso, percebemos que a unidade da verdade possui duas formas: clareza e distinção. Uma ideia clara ou verdadeira é definida como aquela apreendida de tal forma em sua totalidade que será reconhecida onde quer que se encontre e jamais confundida com outra. Uma ideia distinta é definida como aquela que não contém nada que não seja claro, tendo de ser completada por outra, isto é, ela depende do conteúdo da outra. Para alcançar a clareza mais perfeita da ideia, temos de formular um método. Um desses métodos foi elaborado por Descartes com o objetivo de reconstruir toda a filosofia. No método a priori, as verdades fundamentais são determinadas pela autoconsciência e devem estar de acordo com a razão, mas isso não garante que as ideias sejam verdadeiras. Essa dificuldade ele não conseguiu resolver, porque sua confiança estava fundamentada na introspecção. Daí não saber distinguir uma ideia que parece clara de outra que realmente o é. Além disso, há o conhecimento das coisas exteriores. Por que, então, Descartes colocaria em causa seu testemunho relativamente aos conteúdos das nossas próprias mentes? A primeira área do saber que temos o direito de conhecer é a lógica, que determina a clareza de nossas ideias. No entanto, é desprezada pelas mentes que dela mais necessitam. É terrível ver como uma única ideia confusa, uma simples fórmula sem significado, escondida na cabeça de um jovem, atua, por vezes, como material inerte que obstrui uma artéria, impedindo a nutrição do cérebro, e condena sua vítima a definhar-se na abundância de seu vigor intelectual e no meio da plenitude intelectual. Essa verdade está presente em nossa sociedade como uma grande desagregação social. Para romper com essas ideias confusas, precisamos saber o que é a dúvida. A dúvida é um estado desagradável e incômodo, contra o qual lutamos para libertar-nos e passar ao estado de crença – um estado de tranquilidade e satisfação que não desejamos evitar ou substituir por outro. Os conceitos de dúvida e crença são habitualmente empregados para reportarem questões religiosas ou outras de grande importância. Aqui, Peirce faz uso destes conceitos – dúvida e crença – para designar o início de qualquer questão, seja ela grande ou pequena. Frequentemente, fazem-se distinções entre crenças que diferem somente em seu modo de expressão, sendo, contudo, bem real a disputa que daí resulta. Distinções erradas são tão nocivas quanto a confusão de crenças. Por isso, é preciso que nos previnamos, especialmente quando têm uma base metafísica e fragmentos da cultura de massa. Uma ilusão muito particular desse tipo, que ocorre frequentemente, consiste em considerar a sensação produzida pela falta de clareza de nosso pensamento como característica do objeto que estamos pensando. As ideias de verdade e falsidade, em seu pleno desenvolvimento, pertencem exclusivamente ao método experimental de fixar a opinião. Como é que se fixa a crença real e a crença da ficção na sociedade contemporânea? Na história do pensamento de todas as sociedades, temos como fundamento as crenças, que continuam presentes na vida do homem como uma das formas de conhecimento. Peirce identificou, nesses conhecimentos, quatro métodos de fixá-las: o método da tenacidade, o da autoridade ou razão, o a priori e o científico. O que ele não previu foi o método da volatilidade, que determina todas as formas de crenças da cultura de massa. A origem desses métodos encontra-se na lógica e, por meio dela, ele compreendeu como as suas verdades são fixadas em forma de crenças. Todas essas verdades foram desenvolvidas por meio do raciocínio, que conduz o homem a um processo de escolha. Nela, existem dois caminhos: o verdadeiro e o falso.
Elementos da verdade como fundamento dos métodos para fixar as crenças na sociedade -
Adelio Alves
Infinito
2012
156 páginas
5h 12m
ISBN-13: 9788591197729
Português Brasileiro
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