“O lilás da avenida sou eu” [!] Ponho ponto de exclamação na frase de Elisa Buzzo que glosa o verso de Sosígenes Costa, “todo me envolvo no lilás da noite”, pois esta cronista de São Paulo sabe deveras se fundir às nuances e facetas da cidade percorrida a partir de um ponto chave. Em Reforma na Paulista e um coração pisado, as crônicas se fazem São Paulo, cimento e flor; tons, sombras e sol, silêncios e estridências nas horas que perfazem os trajetos dos dias. Trajetos que se alongam diáfanos e líricos, que se transformam na observação ríspida das contradições, no olhar compassivo abraçando vidas baldias – de gente e de bichos –, ou no próprio bulício da rua. Que buscam, como João do Rio, a alma das ruas, os fotogramas da vida paulistana, no espírito dos quadros do poeta flâneur. E alcançam dimensão humana maior em A vida subterrânea que mora em frente, texto no qual ouço Lonely house de Langston Hughes, musicado por Kurt Weil; ou na crônica toda ela em letras minúsculas, sem pontuação, que traduz a vida ínfima da cadelinha Polly. E em tantos outros que nos prendem, nos acrescentam. Telê Ancona Lopez
