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    82 - Uma Copa, quinze histórias

    Mayrant Gallo, Carlos Ribeiro

    Casarão do Verbo
    2013
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9788561878245
    Português Brasileiro
    4
    4 avaliações
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    A Copa do Mundo de 1982 foi a última em que o futebol brasileiro empolgou. Foi também aquela em que alguns dos melhores jogadores que o Brasil já produziu estavam no auge de suas carreiras - como Zico, Falcão e Sócrates -, mas não ganharam nada, nenhum título internacional de relevância. Também foi a Copa em que um único jogador, o italiano Paolo Rossi, desmontou uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos, naquele 3x2 que se inscreveu na memória de todo nós, pessoas comuns e também escritores. Em quinze contos, portanto, quinze autores brasileiros apresentam sua visão daquele fatídico dia... (Sinopse oficial da editora)

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    Andreia Santana picture
    Andreia Santana28/06/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Traumas de uma Copa difícil de esquecer

    Sessão de exorcismo coletiva, nascida de um bate-papo entre amigos escritores em uma mesa de bar, <i>82 - uma copa e quinze histórias</i>, usando doses generosas de ironia e humor negro, lava a alma até de quem não tinha idade para entender o significado daquela derrota do Brasil para a Itália, na malfadada Copa do Mundo de 1982. Nem precisa ser muito versado no complexo universo da bola para se deixar seduzir pelas histórias dos autores e para sentir, mais de trinta anos depois, a tristeza, decepção ou assombro da geração que julgava aquela seleção sob as lentas de aumento da passionalidade futebolística. Sim, meus caros, éramos aparentemente imbatíveis, mas perdemos! A Copa do "Voa Canarinho" faz parte do imaginário coletivo nacional como uma das mais zebradas da história dos mundiais e os autores dos contos de <i>82</i> não perdem a chance de reforçar o mito. Embasbacados, fazem coro com toda uma nação para a pergunta que não quer calar: Como assim fomos derrotados? Mas o objetivo passa longe de encontrar a resposta ou analisar todas as probabilidades do que poderia ter sido feito para evitar a "tragédia". Há uma certa resignação de Lei de Murphy, um maktub (palavra árabe que simboliza a inexorabilidade do destino) dos gramados. Certas histórias, inclusive, funcionam como epopeia às avessas, em que ao invés de narrar as glórias dos vencedores, desfia-se um rosário em honra dos fracassados. Do menino que reproduz nos cadernos de desenho os personagens dos quadrinhos da Disney como um amuleto lúdico que protege os jogadores em campo, à prostituta brasileira que deu sorte a Paolo Rossi, o italiano que funcionou como carrasco do Brasil na fatídica partida; sem esquecer o motorista de táxi que destila sua mágoa pela derrota diante de um impassível passageiro, ou mesmo o matador de aluguel contratado pela máfia e que com uma bala teria mudado a história, todos os personagens das 15 histórias trazem aquela amargura típica de quem no fundo tem uma pulga agarrada atrás da orelha a sussurrar: "não vai ser dessa vez!" A Copa de 82 não desbotou como as bandeiras pintadas no asfalto pela molecada de muitas ruas país afora. Ao longo dos anos, foi repassada em replay cada vez que o Brasil enfrentou a Itália em um jogo decisivo. Nas páginas da coletânea, a competição torna-se vívida e pulsante novamente, como se o leitor tivesse embarcado em um túnel do tempo. Como se meter o dedo na ferida e limpar todas as suas bordas, culmine na cicatrização. Quem era criança na época, relembra as caras de decepção e o choro dos adultos, um cigarro que ficou pendente no canto dos lábios, um grito de gol que morreu na garganta ou um verso do sambinha de Júnior. Mais ainda do que repassar cada um dos lances dos jogos em que o Brasil goleou outros adversários, o livro traça um panorama dos anos 80 em toda a sua romântica rebeldia. E não ficam de fora decepções amorosas juvenis tão profundas quanto a derrota nos gramados. Cada personagem/narrador reconta o "sarriaço" a partir de uma ótica muito particular, associando o trauma coletivo da perda do Mundial aos seus pequenos dramas cotidianos. E é justamente por isso que, embora devidamente limpa e curativada, essa cicatriz, de vez em quando, ainda faz cócegas e arde.

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    Mayrant Gallo

    Mayrant Gallo nasceu em Salvador, em 1962. Morou 20 anos no Rio de Janeiro, onde começou a escrever. Publicou Pequena antologia antecipada (1989), O ritual no jardim (1993), Pés quentes nas noites frias (1999), Dia sim e sempre (2000), O inédito de Kafka (2003), Recordações de andar exausto (2005), Dizer adeus e nem (2005) e Nem mesmo os passarinhos tristes (2010).

    16 Livros
    8 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Mayrant Gallo