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    Adam e Evelyn -

    Ingo Schulze

    Cosac Naify
    2013
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9788540503700
    Português Brasileiro
    3.3
    38 avaliações
    Leram52Lendo2Querem98Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos3Desejados98Avaliaram38

    Agosto de 1989. Numa pequena cidade da Alemanha Oriental, o designer de roupas Adam vive com a namorada Evelyn numa casa antiga que é também o ateliê em que ele trabalha e recebe as clientes. Num dia fatídico, porém, Evelyn descobre que a relação dele com as mulheres para quem costura extrapola os limites profissionais. A sonhada viagem de férias do casal ao paradisíaco lago Ballaton, na Hungria, cai por terra, e eles acabam empreendendo a jornada para o país vizinho separadamente. Evelyn pega carona no Passat vermelho de um amigo da Alemanha Ocidental, enquanto Adam os segue em seu velho carro. A empreitada acaba tomando dimensões maiores quando as fronteiras da Hungria se abrem para o Ocidente e o muro de Berlim parece estar com os dias contados. Ingo Schulze realiza uma história de amor encenada nos últimos suspiros da República Democrática Alemã e acompanha a entrada traumática deste casal em crise num mundo totalmente novo.

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    Aguinaldo Medici Severino picture
    Aguinaldo Medici Severino18/10/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    adam e evelyn

    De Ingo Schulze só conhecia o bom "Celular", seu livro de contos publicado em 2007. "Adam e Evelyn" é um bom romance. A matriz é a história bíblica, claro, o título e os nomes dos personagens, não apenas dos dois protagonistas, Adam e Evelyn, mas de todos os demais, não disfarçam nada da alegoria inicial, mas a narrativa que brota das páginas é algo bem inventivo, autônomo da camisa de força bíblica. Schulze criou uma espécie de livro de estrada, um "road-book" outonal, que começa em meados de um agosto (o 19 de agosto de 1989) e termina no final de novembro deste mesmo ano, logo após a queda do Muro de Berlim. Adam e Evelyn são um casal de alemães orientais, sem filhos, ele com 33 anos e ela com 21, ele alfaiate e fotógrafo amador, ela garçonete. No 19 de agosto de 1989 Evelyn flagra seu marido fazendo sexo com uma de suas clientes (Lili, uma Lilith não tão devoradora com o original bíblico). Esta data é aquela em que a Hungria abriu suas fronteiras com a Áustria, decisão que permitiu que um grupo grande de alemães orientais (muitos em férias na Hungria naquele verão) fugissem para o ocidente, iniciando o processo que rapidamente culminou com a queda do Muro de Berlim, no dia 9 de novembro de 1989. Schulze faz seus personagens viajarem, da Alemanha Oriental para a Tchecoslováquia, de lá para a Hungria e logo para a Alemanha Ocidental. Não há um projeto, o que os move é antes a reação de cada um deles ao flagrante do adultério que a oportunidade de emigar ou fugir. Trata-se sim da história de um casal que precisa resolver uma questão doméstica, mas que estão no centro de um processo histórico tremendo, convulsivo, incontrolável, quase ininteligível para o indivíduo que o experimenta. Schulze é um mestre nos diálogos, faz com que a forma de se expressar de cada personagem seja única, vívida. A narrativa avança rapidamente, acompanhando os fatos reais da época, mas Schulze nos lembra que estamos lendo um livro de ficção, uma história, um romance, não um ensaio ou um registro de memórias. O paraíso perdido e o conquistado não são lugares tão distintos assim, nem tampouco a queda (ou a idéia de uma queda) um evento que de fato defina quem exatamente faz o bem ou o mal. Esse nosso mundo não é mesmo raso, nem novo. Eu poderia escrever um bocado sobre as boas alegorias que Schulze espalha pelo livro: a tartaruga, seu carro, um cubo mágico, as velhas fotografias, a camiseta com a bandeira do Brasil, a chave da casa/república, o processo de revelação fotográfica, mas isso deixo para um eventual leitor curioso, já falei demais por aqui (e gostei um bocado deste livro). Impossível ler este livro e não lembrar do maravilhoso "Roads to Berlin", do Cees Nooteboom, que também experimentou ao vivo a queda do Muro de Berlim. Vale. "Adam e Evelyn", Ingo Schulze, tradução de Sergio Tellaroli, São Paulo: editora Cosac Naify, 1a. edição (2013), brochura 14x18,5 cm., 384 págs., ISBN: 978-85-405-0370-0 [edição original: Adam und Evelyn (Berlin: BV Bestseller Verlag GmbH) 2008]

    3 curtidas

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    3.3 / 38
    • 5 estrelas11%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas45%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas3%
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    Ingo Schulze

    Ingo Schulze nasceu em Dresden, Alemanha, em 1962, filho de um professor de física e de uma médica. Prestou o serviço militar na Alemanha Oriental e estudou filologia clássica e literatura alemã em Iena. Trabalhou como diretor artístico no Teatro de Altenburg, mais tarde como redator de jornal. Desde setembro de 1993, depois de uma passagem por São Petersburgo, vive em Berlim, ocupado exclusivamente em escrever e depois contar suas histórias em conferências pelo mundo. O primeiro livro de Ingo Schulze, 33 Augenblicke des Glücks (33 momentos de ventura, 1995), ganhou o Prêmio Literário Aspekte. A publicação de Simple Storys (1998) deu mais um punhado de prêmios ao autor. Com Senhor Augustin (lançado no Brasil pela Cosac Naify), uma adorável narrativa sobre a convivência com os mais velhos, voltou-se para o público infantil. Em 2007, Ingo Schulze recebeu o Prêmio da Feira do Livro de Leipzig pelos contos de Celular, publicado no Brasil pela Cosac Naify. Desde 2006, Ingo Schulze é membro da Academia de Artes de Berlim e da Academia Alemã de Língua e Poesia, em Darmstadt, e, a partir de 2007, da Academia de Artes da Saxônia. Seus livros foram traduzidos em 27 línguas.

    3 Livros
    4 Seguidores

    Ingo Schulze