Sabem aquele provérbio que diz "Não se deve julgar um livro pela capa"? Ele foi criado devido às pessoas que não liam certos livros por acharem as capas muito feias e acabavam por perder histórias maravilhosas. Pois acontece que o mesmo também acontece!
Este livro chamou-me a atenção devido à sua capa linda, em tons de verde, com elementos que nos remetem à fantasia, à magia.... e quando li a sinopse ainda mais interessada fiquei e jurei que iria juntar algum dinheiro para poder comprá-lo. Pois foi um dos piores erros da minha vida!
A Marca das Runas conta a história de Maddy Smith, uma rapariga de apenas 14 anos que sempre foi tratada na sua cidade como uma aberração desde que nasceu por causa de uma runa impressa na sua mão direita, algo que a Ordem (parecido com uma religião misturado com um concelho) abominava e dizia que era obra do Diabo.
O padre Nat Parson tem um verdadeiro pavor da menina e sonha com o dia em que vai prendê-la. Maddy até aos sete anos desconhecia as runas e qualquer história sobre aquela estranha marca e o seu poder. Ela sabia que era diferente e que podia fazer coisas que as outras pessoas não entenderiam porém jamais havia sonhado com algo como magia e goblins até conhecer Zarolho.
O estranho andarilho despertou a atenção de Maddy porque apesar da sua aparência velha e cansada ele irradiava cores vivas, fortes como uma pessoa nova (Maddy via cores, uma espécie de aura, à volta das pessoas). Desde então Zarolho (que também tinha uma runa) concordou em ensinar tudo o que podia a Maddy sobre a Antiga Era, as Runas, os seus poderes e os seus deuses. Ele contou-lhe histórias sobre Asgard, a cidadela dos deuses, sobre o Ragnarök, que foi o fim do Mundo e o nascimento na nova era, dos novos conceitos e da Ordem. Maddy não sabia se existiam outras pessoas como ela e Zarolho. Sempre sonhou com o dia que finalmente entrarria na montanha em busca do tesouro perdido da Antiga Era, mas não contava com o que estava para vir.
Em uma sucessão de acontecimentos inacreditáveis Maddy vê-se no centro de uma trama entre deuses antigos, a Ordem e um oráculo muito egocêntrico e mentiroso. Em pouco tempo tem que lidar com sua verdadeira identidade, com as verdades que Zarolho ocultou por todos aqueles anos e com as consequências que a libertação do oráculo e a entrada no mundo abaixo da colina vão trazer. E aí começa uma aventura que não me convenceu.
Em primeiro lugar não acho que uma criança de 14 anos fizesse, pensasse, achasse aquilo tudo. Os meus 14 anos não passaram assim há tanto tempo, e eu sei que nessa altura já me achava uma mulherzinha prota para a vida, mas também sei ver que não faria metade do que ela fez.
Além disso a história é muito confusa. Muitos personagens, muitos lugares, muitos mundos, muitas eras, muitas guerras... No início do livro tem um mapa que nos tenta dar uma ideia dos mundos e do modo como eles estão situados, mas mesmo assim eu perdia-me e muitas vezes li páginas apenas por ler, mas nada ficou retido na minha cabeça.
Também não gostei nada dos personagens! Nat Parson é um homem mesquinho, muito retrogada sem um dedo de testa e que me irritava a cada segundo que aparecia. Maddy parecia-me algo chata e irritante, e demasiado madura para a sua idade. Zarolho é um mentiroso. O oráculo tirava a paciência a qualquer um. No meio disto tudo salva-se mais ao menos Loki, que era suposto ser um dos maus da fita, mas que foi o único que me trouxe alguns bons momentos nesta leitura.
Por isso a minha humilde conclusão é que foi um dos piores livros que eu já li na minha vida! Só os três últimos capítulos foram mais ao menos interessantes, e isso é muito pouco num livro com 528 páginas. Tem continuação e o segundo livro - A Luz das Runas - já foi lançado. Sei de muita gente que leu e gostou, por isso nada melhor do que tirarem as vossas próprias conclusões.