Conta-nos André Luiz que, depois de sua última desencarnação, peregrinou em sofrimento, por muitos anos, em esferas espirituais inferiores.
Finalmente, em certo dia, foi assistido carinhosamente pelo emissário Clarêncio que o conduziu à colônia “Nosso Lar”. Nessa cidade espiritual, logo após acomodar-se num leito de enfermaria, serviram-lhe um caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, que lhe proporcionaram novas energias. Mas, com a chegada do crepúsculo, grande surpresa estava reservada para ele. Conduzido a enorme salão deparou-se com numerosa assembléia, que meditava em silêncio, aguardando o momento de acompanhar a oração do Governador da cidade.
Após alguns instantes, não só eles, mas também todas as residências e instituições de “Nosso Lar” oravam com o Governador, através da visão e audição à distância. Numa gigantesca tela erguida ao fundo do salão, surgiu o cenário do templo, onde, “sentado em lugar de destaque, um ancião coroado de luz fixava o Alto, em atitude de prece, envergando alva túnica de irradiações resplandecentes.” Depois da oração o recinto estava inundado de misteriosas vibrações de paz e alegria. Cariciosa música procedente de esferas distantes respondia aos louvores.
Em seguida, diz André Luiz, “abundante chuva de flores azuis se derramou sobre nós; mas, se fixáva-mos os miosótis celestiais, não conseguíamos detê-los nas mãos. As corolas minúsculas desfaziam-se de leve, ao tocar-nos a fronte, experimentando eu, por minha vez, singular renovação de energias ao contacto das pétalas fluídicas que me balsamizavam o coração.
Terminada a sublime oração, regressei ao aposento de enfermo, amparado pelo amigo que me atendia de perto. Entretanto, não era mais o doente grave de horas antes. A primeira prece coletiva, em “Nosso Lar”, operava em mim completa transformação. Conforto inesperado envolvia-me a alma.