"A greve não significa, pois, a recusa do homem ao que o define como homem, -- a natureza social de trabalhador, -- mas a doação de si aos outros homens, aos outros trabalhadores, num gesto que contribui, portanto, para confirmá-lo na condição humana." (PINTO, 1962, p. 49). Creio que esta, ao que me salta a memória das minha últimas leituras, ser a mais bela definição de greve; além de todo funcionamento das dinâmicas incipientes da produtividade -- esta vigente ao sistema capitalista -- o autor consegue com graça traduzir ao calor do trabalho o fundamento da greve. Ao contrário do que seu conteúdo expressa o ritmo do livro é bem categórico, toma-se o tempo que precisa, viajando do mais profundo das entranhas das quais os conceitos que quer trabalhar estão envolvidos, o que é bem elucidativo, ainda mais na linguagem usada, acessível e fácil. Como um convite ao descanso e a reflexão, aqui o momento de concordância entre o conteúdo e a forma de exposição, já que propõe a elucidação na prática da greve, que então o leitor dê-se tempo para refletir agora que pode, que anime o pensamento. Que faça o pensamento, como o trabalhador faz do trabalho sua posse na greve, seu e que dê-lhe movimento, intensidade. Uma ótima primeira impressão a esse autor que tanto tenho interesse, concepções claras, princípio democrático e honestidade.

