O Avesso e o Direito seguido de Discursos da Suécia -

    Albert Camus

    Livros do Brasil - Lisboa
    1970
    117 páginas
    3h 54m
    ISBN-13: 9789723828467
    Português

    O Avesso e o Direito é o primeiro livro de Albert Camus. Foi publicado ainda na Argélia, em 1937, com a tiragem muito discreta de 350 exemplares. Só em 1958, quando o autor já se tinha tornado uma celebridade, é que o livro seria reeditado, desta vez em França. E contudo, este livro impregna toda a restante obra de Camus. Estão aqui presentes o fascínio da luz e da felicidade, as primeiras suspeitas do absurdo -- "toda a absurda simplicidade do mundo" --, os temas do silêncio, da mãe, da indiferença mas também do amor, que irão perpassar ao longo de todos os seus outros romances, e também de muitas das suas reflexões. A presente edição inclui também o Discurso que Camus proferiu em Dezembro de 1957, em Estocolmo, durante a cerimônia em que lhe foi entregue o prêmio Nobel de literatura. É um texto que resume bem a sua concepção do ofício de escritor: "este não pode hoje pôr-se ao serviço daqueles que fazem a história; tem antes de servir aqueles que a sofrem".

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    Reniel Avelar19/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sentimento pelo mundo

    Classificado como ensaios literários esses textos são como uma espécie de viagem pela vida e pelo pensamento de Camus, aqui estão suas primeiras impressões sobre a morte, sobre o absurdo, sobre a condição da vida humana na terra, seu amor pelo mediterrâneo e pelo sol, entre outras inúmeras coisas. Trata se de um Camus jovem e apaixonado pela vida e pelo coletivo (até mesmo quando este o impele à solidão), em nenhum de seus outros livros eu pude sentir um clamor tão exposto pela humildade, pelo simples, pela indiferença e pelo amor como nesses textos. Ler Camus é sempre um deleite, a prática seu pensamento, porém nunca será uma tarefa simples, adotar a indiferença, a contradição, a ironia como motores da consciência exige tratar as coisas como elas realmente são, ou seja, vida e morte. Viver exige consciência e aí está todo o trabalho; manter se na corda bamba sem saber o que esperar do outro lado. Não trata se de uma apologia ao hedonismo puro, um "viver como se não houvesse amanhã". Nem de desertar de sentido a realidade, mas de compreender o limite de cada coisa sem falsas ilusõe e parafraseando o próprio autor, "somente o amor não tem limites"

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