É fantástico como o título de um livro pode ser dualístico! Em "O Mar de Monstros" Riordan nos prega mais uma peça sobre os nossos olhares estigmatizados e preconceituosos.
O que mais me chamou a atenção nesse livro, foi a maleabilidade de opiniões que os personagens formularam e construiram. Percy foi totalmente afetado por suas dúvidas e conclusões, pela sua relação de orgulho e vergonha com relação Tyson, pelo desejo de encontrar Groover e limpar o nome de Quíron, pela vontade de encontrar uma resposta para a liderença desertora de Luke, pela necessidade de salvar o acampamento, e principalmente pela sua relação distante com seu pai.
O Mar de Monstros é uma metáfora incrível, que remete totalmente ao mar de emoções de um ser humano. Onde beleza e monstruosidade se confundem, onde as emoções fervilham e a razão busca força, onde o ser humano define sua personalidade e o motivo de sua busca. Esse livro nos ensina a olhar para dentro de nós e dos outros, a tapar os nossos ouvidos quando necessário, a dar uma chance das pessoas mostrarem o que realmente são, e principalmente entender que mesmo que algo seja contra a ordem regular da natureza, isso não o torna algo detestável.
Mais uma vez com grandes referências a mitologia grega, com uma Annabeth fantástica, com um alívio cômico sensacional ao redor de Groover, com um Tyson altamente simpático, desfechos de uma guerra apoteótica e apocaliptica, e uma supresa magistral no fim do livro, "O Mar de Monstros" continua de forma excepcional a jornada de Percy jackson e seus amigos.