Nico e Stéfano haviam garantido que o golpe seria bom. Uns dois milhões, no mínimo, e sem muita vigilância. Nico é líder da gang da qual Kane também faz parte. Durante um assalto a banco, ao ver Stéfano apontando o revólver para o guarda Clifford que estava desarmado, Kane perde a noção dos acontecimentos e atira na mão de Stéfano. Para surpresa de Kane, porém, a bala bateu na arma de Stéfano e ricocheteou, indo atingir o próprio assaltante. Stéfano dobrou-se com uma expressão de dor e de ódio ao mesmo tempo, levando a mão ao ventre, e o sangue jorrou por entre seus dedos. Quase todo o dinheiro roubado ficara espalhado pela rua. — Conseguirão agarrar o carro de Nico? — pensou Kane, baixando as mãos diante das metralhadoras apontadas por dois policiais. Kane encontrava-se meio atordoado. Tinha a impressão de estar assistindo à cena e não de fazer parte dela. — O rapaz pode ser da quadrilha, mas me salvou a vida — exclamou o guarda Clifford para o policial que acabava de chegar. Stéfano foi colocado numa maca e levado para a ambulância. Kane estremeceu. Os policiais a seu redor faziam-lhe perguntas, às quais ele não respondia. Pensava na terrível expressão do rosto de Nico, quando ele fugira. Stéfano era irmão de Nico e ele atirara em Stéfano. Talvez o tivesse morto. Nico não sabia perdoar nem esquecer. Já o vira fazer coisas terríveis com aqueles a quem odiava. A justiça não assustava Kane. Num tribunal talvez encontrasse piedade, compreensão e tolerância. De Nico só poderia esperar morte, vingança implacável e ódio sem fim.