Neste livro o autor faz um estudo profundo a respeito da depressão, apresentando seus principais sintomas, suas causas e formas de tratamento. O autor procura desmistificar a depressão, estabelecendo as diferenças em relação a outros estados de consciência visando um diagnóstico mais preciso. Coloca a depressão como um processo de auto-erotização e de alquimia de energias internas. O enfoque é psicológico e espírita.
A alquimia do amor - Depressão, Cura e Espiritualidade
Adenáuer Novaes
Alquimia do amor
💟 Eis um pouco do livro: A Vida não possui regras nem normas. Nós as criamos a fim de educar a liberdade a nós outorgada por Deus. Não coloque sua felicidade à mercê das contingências acidentais de sua vida ou mesmo de uma fase de turbulência por que você esteja passando. Todos sabem que a felicidade é um estado de espírito, porém como instalá-lo internamente é que tem sido o grande problema. Sua insatisfação com a vida ou com coisas menores deve ser entendida como algo inerente à existência de qualquer ser humano e não como infelicidade. Há coisas que só ocorrem com um certo tempo e com a necessária experiência. Não tente antecipar tudo, pois isso gera ansiedade, a qual traz infelicidade. Viva cada momento como se fosse o último e, simultaneamente, o primeiro. A iluminação interior ocorre na medida que você identifica nos outros pessoas como você, dignas de respeito, de amor e semelhantes a você mesmo. Procure vibrar com a vida e com seu ritmo. Caminhe sem medo, sem amarras, sem vaidades e sem culpa. Dê lugar ao coração, principalmente se a razão se encontrar confusa. Continue sua busca pessoal por uma personalidade mais agradável e equilibrada. Nada pode ser maior que você, nem tampouco inferior a sua vida. Você é muito mais do que imagina e tem uma destinação iluminada. Cultive o pensamento flexível, que admite sempre a possibilidade de as coisas serem diferentes do que você acha. A rigidez mental promove as doenças e impede o encontro com o si mesmo. Ser feliz é ser maleável aos convites que a vida nos faz ao amor. O segredo para a felicidade é a tolerância para consigo mesmo e a consciência das próprias limitações. Quando a angústia atingi-lo, trazendo-lhe tristeza e melancolia, é preciso se lembrar do significado que ela representa. É preciso perceber que a angústia que muitas vezes nos acomete a alma advém da saudade de algo indefinido. Essa saudade que se transforma em angústia é a falta de confiança acrescida da incerteza quanto ao próprio futuro. Para se libertar do passado é preciso ter consciência de que ele não precisa necessariamente ser esquecido, mas resignificado. Não tente esquecê-lo, mas lembrar dele como uma experiência que se teve; seja ela boa ou ruim. Quando boa, deve ser lembrada com alegria. Quando ruim, deve ser lembrada como aquela que lhe ensinou algo. Não há quem não tenha vivido experiências equivocadas. Na Terra ninguém esteve ou está livre de viver experiências consideradas transgressões à ordem vigente. Transgressões ou não, temos que aprender a vivê-las conscientemente. Lembre-se de que você deve retirar de cada experiência algo de útil e bom para você. Tudo que lhe acontece é um caminho trilhado que poderá ser repetido ou não, a depender de sua vontade. Tente enxergar a Vida como algo muito maior do que aquilo que lhe é mostrado e que seus olhos podem ver. Sua felicidade depende de uma visão mais ampla da Vida. Veja-a como um presente de Deus e como algo maior que você, mas que cabe em você. Toda felicidade passa pela consciência da existência, presença e atuação de Deus naquele que a busca. Tornar-se uma pessoa feliz é uma proposta que deve levar o indivíduo ao encontro do si mesmo, de sua essência mais íntima. O ser humano é resultante do produto da união do amor de Deus com o desejo de existir e ser feliz. A depressão é um estado psíquico estritamente psicológico, decorrente de fatores endógenos e espirituais, no qual a consciência sofre uma perda de energia e o eu sucumbe parcialmente ao inconsciente. Todo ser humano tem tendência a entrar em depressão, pois o contato com o inconsciente, intensificado na depressão, é fundamental ao processo de transformação da alma. A depressão, simbolicamente, é um retorno ao colo, isto é, ao aconchego materno. O depressivo se coloca num estado no qual o carinho e o colo de alguém é visivelmente desejado, mesmo que ele o negue. Sua carência o transforma numa criança medrosa, que não vê saída diante de um obstáculo intransponível. Seu mundo psíquico se torna pequeno e o espaço mental para pensar se reduz a poucas ideias. A tristeza e a sensação de que algo ruim vai acontecer são típicos do estado que antecede a depressão. A pessoa que não cultiva uma visão de mundo que lhe traga segurança quanto ao próprio futuro, fica mais propensa àquele estado. A tristeza mórbida é um estado de espírito que condiciona a pessoa ao pessimismo, ao negativismo, ao derrotismo, bem como a uma expectativa de insucesso constante diante dos mínimos desafios. O conflito surge pela percepção de que seu destino é outro e não aquele a que deseja agarrar-se, e porque não sabe o motivo de tê-lo perdido. Na realidade não o perdeu, era uma fantasia, não o possuía de verdade. A pessoa estava sendo conduzida embora pensasse ter o controle da situação. A compreensão da relação com o inconsciente é uma espécie de cuidar de si mesmo, observando-se naquilo que não é facilmente perceptível pela consciência. Entrar em contato com o inconsciente pode ser iniciado com reflexões, meditações, orações, ou toda atividade mental que implique em interiorização. Nesse estado, ouve-se mais do que se fala. Nota-se mais a si mesmo do que aos outros. Ao contrário dos estados depressivos, essa interiorização não é mórbida, mas consciente e ricamente vivida. Todas as pessoas desejam encontrar um amor. Amar e ser amado é um desejo arquetípico, inconsciente, de todo ser humano. Todos buscam alguém que lhe complemente a vida. Essa busca se dá pela tendência inata que existe em cada ser humano de realizar, através da união com alguém, aquilo que acha não estar completo internamente. A busca pela formação do par é, portanto, mais do que uma questão pessoal, uma tendência coletiva. Não conseguir realizar esse intento promove frustrações e sensação de incompletude. O vínculo que se estabelece entre pessoas decorre de fatores nem sempre percebidos pelas partes. Há fatores psicológicos, sociais, emocionais e espirituais, inconscientes. A experiência externa se conecta aos processos não resolvidos que jazem no inconsciente de cada um, portanto, cada indivíduo tem aquilo que merece, cujo desafio precisa ultrapassar, alcançando níveis de compreensão maiores. Em geral as relações amorosas começam pelo mecanismo da projeção inconsciente. O outro, a quem se destinam os sentimentos afetivos, preenche inconscientemente o lugar da figura idealizada de parceiro complementar. Quando os envolvidos se deparam com a personalidade real do outro, se decepcionam, desejando ou conspirando para o rompimento da relação. Não é fácil lidar com a personalidade de alguém com quem se vive, ao descobrir, um dia, que esta é diferente da que se acostumou ou se desejou estar junto. O segredo talvez seja construir a relação com paciência e ter senso de oportunidade, viabilizando momentos adequados para se atingir a conexão com a alma do outro. Talvez venha a entender que sua dificuldade reside exatamente na projeção inconsciente de seu desejo imediatista, sem atentar aos obstáculos inerentes a tudo de grandioso que se almeja. A consciência se defende de tudo aquilo que pode suplantá-la, armando-se com mecanismos para permanecer em seu estado de equilíbrio. As relações entre pessoas nem sempre se constroem para alcançar pretensões convencionais. O sentido de viver, que chamo de existência, deve estar sempre presente na consciência. Quanto mais presente na consciência, mais intensamente suas consequências positivas interferem no inconsciente. O sentido de viver é um conjunto de motivos para a vida. Costumo dizer que o sentido da Vida é simplesmente viver. É, portanto, um sentido coletivo, igual para todos. Geralmente a pessoa afirma que o sentido é ser feliz, é amar ou é evoluir. Tais respostas não contribuem para uma maior compreensão da própria vida que se leva. Por outro lado, o sentido da vida é algo pessoal, singular, próprio de cada pessoa. É importante ampliar os objetivos que se tem na vida. Depressão é também ausência, na consciência, de um sentido para a vida. A frustração de não ter alcançado alguns objetivos podem retirar aquele sentido anteriormente presente. Colocar de volta o mesmo, ou acrescentar outro, é desejável e deve ser feito de forma gradativa e pragmática. Alienar-se da própria noção do destino pessoal é perigoso. Por isso, toda inserção de motivos para viver deve ser feita de forma consciente, atentando-se para suas reais possibilidades de serem alcançadas, a fim de não se alimentar novas fantasias infantis. A vida consciente precisa ter pelo menos um sentido, mesmo que seja querer algo material ou hedonista, para que dele o indivíduo encontre o significado maior de sua existência. Melhor seria que seus objetivos de vida fossem mais espirituais que materiais. O sentido que atribui à sua vida fortalece a consciência da própria existência, evitando a sucumbência ao inconsciente, sem o domínio do ego. Existem reforçadores ou fatores que predispõem as pessoas à depressão. O principal deles é a ausência de sentido para a própria vida. A tristeza persistente é sinal de que pode existir uma exigência para com a vida ou com alguém, que não foi satisfeita, tornando-se uma fantasia irrealizada. A irritação persistente pode ser fruto da intolerância e da autovaloração das próprias opiniões. Pessoas assim, quando constantemente contrariadas pela vida ou pelas pessoas, facilmente entram em depressão. Ao mecanismo automático de projetar a mãe ou o pai idealizado, de construir uma criança interna carente, de transferir a alguém aquele papel não correspondido e de sentir-se rejeitado ou desamparado é que chamo de alquimia do amor. Conviver com pessoas depressivas por longo tempo proporciona uma maior probabilidade de se ter depressão. O contato muito prolongado promove uma espécie de contaminação psíquica, quase imperceptível. O combate ao negativismo do depressivo, bem como as tentativas frustradas de demovê-lo de seu estado mórbido, vão minando, ao longo do tempo as forças de quem com ele intensamente convive, alterando sua disposição psíquica. O excesso de atenção ao depressivo é fator de manutenção de sua carência, dificultando sua própria libertação da doença. Aquele que dá muita atenção ao depressivo pode acabar por esquecer sua própria vida, frustrando-se se não obtiver sucesso em curá-lo. Personalidades frágeis, diante de situações exteriores difíceis, certamente sucumbirão a caminho da depressão. Fundamental é o amadurecimento da personalidade para enfrentar tais situações. Enquanto a tristeza é um sentimento comum ao ser humano, quer esteja em depressão ou não, a melancolia é uma ocorrência ocasional. Ela é componente sempre presente na depressão e provoca um mal estar por vezes insuportável. A saída é encontrar uma razão para viver que não seja exclusivamente vencer o mundo externo, mas conhecer seu mundo interno, educando e enriquecendo seus sentimentos, para que a felicidade se torne possível. Deprimir-se por causa de perdas não digeridas reflete a imaturidade do espírito, que não aprendeu a desapegar-se das coisas e das pessoas, nem a resignificar os eventos da vida como oportunidades de aprendizado. Perdas são sempre lições de desapego. Ocorrem também para que se tenha a consciência de que ninguém está seguro de nada, salvo daquilo que integrou em seu próprio ser, portanto, as próprias lições da vida. Remédios antidepressivos, utilizados para aumentar a captação de serotonina, ampliando as sinapses cerebrais, promovem os resultados químicos esperados, porém não alcançam a transformação da mente como se deseja. Reduzem o sofrimento do doente e, mesmo com alguns efeitos colaterais nocivos, contribuem para seu equilíbrio orgânico. Nos casos de muita ansiedade associada à depressão e de tendências suicidas, são extremamente úteis e devem ser administrados por conselho médico. Sua retirada só deve ser feita também por recomendação médica. Depressão, do ponto de vista energético, como o nome sugere, é um estado resultante de uma pressão que é exercida sobre algo, provocando seu rebaixamento a um nível inferior. O estado de depressão se caracteriza pelo desânimo e sensação de cansaço, com falta de vontade de realizar atividades comuns. A depressão atinge a sensação de estar vivo. O depressivo sente solidão mórbida, tristeza persistente, angústia lancinante, vazio existencial, dor no peito, desesperança, desânimo, culpa, inutilidade pessoal, desestímulo, medo e incompetência para viver. A autoafetividade harmonizada é o amor a si mesmo resolvido, com uma boa autoimagem, mesmo consciente dos aspectos negativos da própria personalidade. Este pilar representa a inexistência de carência afetiva, capaz de roubar a energia normalmente utilizada na consciência. Eis algumas das principais causas da depressão: 1. Viver num mundo extremamente competitivo, sentindo-se frágil e impotente. 2. Viver sob pressão profissional sem recompensas satisfatórias. 3. Acostumar-se à rotina sem as compensações desejadas. 4. Viver em contato com pessoas agressivas sem coragem para enfrentá-las com equilíbrio. 5. Viver sem ser amado. 6. Não ter um sentido para a vida nem saber por onde começar. 7. Não ter uma religião que lhe responda suas questões mais íntimas. 8. Viver sendo inferiorizado por alguém e sem autoestima para mudar a situação. 9. Lidar com doenças persistentes sem diagnóstico específico, com doenças graves ou crônicas. 10. Viver em condições financeiras escassas ou limitadas. 11. Não resolver seus problemas e necessidades sexuais. 12. Lidar com a morte pessoal e de terceiros. 13. Administrar perdas e rejeições naturais na vida. 14. Lidar com as ingratidões e incompreensões típicas do ambiente familiar. 15. Experimentar as agruras da solidão. 16. Aceitar as transformações e alterações físicas decorrentes da idade. 17. Entrar em contato com suas próprias limitações. 18. Lidar com os fenômenos mediúnicos que lhe cercam a vida. Eis algumas atitudes psicológicas para a prevenção e a cura da depressão: autodeterminação; compensações subjetivas (encontrar razões espirituais para a vida); resignificação do passado; coragem para enfrentar o mundo; solidariedade amorosa; espírito de equipe e consciência de vida em grupo; fechar ciclos; perdoar; retornar ao sagrado; manter a espiritualidade; ter Deus como amigo; manter a dignidade; ser flexível; expressar emoções e desabafar conflitos; administrar perdas; conectar-se a instancia psíquica central que impulsiona a pessoa a individualização.
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