Loyola magistralmente fez um livro de viagens se tornar numa das leituras mais poéticas que experimentei nos últimos tempos. Ao narrar sua experiência em Berlim, ele utilizou-se de fluxos de consciência, mas o que torna isso mágico é que ele utilizando-se de fluxos de consciência, lançados ao livros em "capítulos" curtos de menos de 1 página cada, ele conseguiu criar uma história cheia de nexo de significado.
Espere por um livro que fale do cotidiano, que seja poético, que fale sobre o muro de Berlim, Hitler, 2° Guerra, Política Alemã, Brasil e brasileiros, tudo pela ótica simples deste paulista que se recusa a ver cinza. O verde violentou o muro.
"Como se alojam as pessoas? Se amontoam aonde? Por que não vejo ninguém nas portas de igreja, nos bancos de jardim, embaixo das pontes (e há mais de 500 só em Berlim), viadutos? Não vejo favelas, malocas, barracos de madeira ou zinco. Conheço centenas de prédios deteriorados, mas nada daquilo que numa linguagem brasileira possa traduzir miséria, maloca, não-habitação. Ficou um mistério.O que existe na verdade: estudantes e famílias inteiras morando sem calefação. Gente morando em apartamentos sem banheiros, sem duchas, apenas com um sanitário."