A história é parte de um expurgo pessoal do autor, que resolveu botar pra fora suas inquietações e angústias num roteiro repleto de tensão e confronto. O embate é intimista e silencioso: a secreta guerra entre o flanelinha e o morador do prédio a frente, uma luta por espaço social. É mais do que a discussão entre ricos e pobres, certos e errados, a moralidade envolvida na disputa de classes, no espaço de manobra entre o direito de cada um na cidade. Laerte entra no inconsciente da vítima/agressor, e seu protagonista, um classe-média que se sente ameaçado constantemente pelo que o circunda, passa a ver e sentir essa ameaça de forma mística, onde forças que ele não consegue compreender convidam o leitor a participar da loucura.


