Gosto de livros de receitas que não apresentem apenas as receitas, mas contem suas histórias e revelem todo afeto envolvido por quem as fez e experimentou.
Heloísa Seixas compartilha sua vida desta forma. De família com costumes alimentares baianos, influenciada também pela cozinha portuguesa, suas lembranças culinárias são registradas a partir do caderno de receitas antigo de sua mãe que estava escondido.
As mudanças no comer ao longo da vida também foram partilhadas a partir da adoção de outros estilos alimentares, assim como o reconhecimento de pessoas que se conviveu e que contribuiu com novas receitas para serem feitas e lembradas.
Nas memórias estão os contos da autora em sua vida urbana, praiana e idas para área rural que a fez relembrar de sua infância em torno de diferentes árvores frutíferas.
O livro é uma homenagem à sua mãe, que além de cozinhar, adorava brincar com as palavras usando diferentes ditados - em sua maioria com palavras que referenciam comida.
Outras pessoas também são destacadas na obra, como sua avó Guiomar, em que boa parte das receitas a pertenciam. Assim como seu primo Raulzito que aprontava demais. E grandes escritores da literatura brasileira.
O livro é bem curto, tipo aquelas prosas pra hora do cafezinho em que trazem alguma lembrança. Confesso que esperava mais páginas e detalhes das histórias. Mesmo assim, me fez lembrar da obra da Ana Holanda - “minha mãe fazia”, ainda que a escrita seja bem distinta, mas que traz a reflexão de como a comida é capaz de narrar nossa própria vida e nossa família.
Senti falta de um “toca, Raul” em alguma parte que ela fala do primo! Rs
Brincadeiras à parte, o livro talvez seja um convite para irmos atrás das receitas da nossa vida que também contem histórias. Histórias que não podem ser esquecidas, mas eternizadas e passadas para as próximas gerações, e que tocam a alma.