Contextualização
A verdadeira contextualização do evangelho ocorre na igreja, e não no mundo. Não é obra de homem, mas sim de Deus - Nicholls O livro “Contextualização — uma teologia do evangelho e cultura”, de Bruce J. Nicholls, foi escrito no ano de 1979, sua primeira edição em português ocorreu em 1983, mas sua edição revisada só surge em 2013. É isso mesmo? Como que uma obra importante como essa para a vida missionária da Igreja demora tanto a ser reapresentada? Talvez porque seja uma obra crítica em relação aos movimentos de contextualização. Vejamos. A discussão do livro parte de uma constatação que é importante que a igreja tome consciência. O autor escreve que “alguns se preocupam tanto com a preservação da pureza do evangelho e das formulações doutrinárias dele decorrentes que se tornam insensíveis aos padrões de pensamento e comportamento culturais das pessoas às quais proclamam o evangelho”. E continua na sua justificativa afirmando que “alguns não têm tido consciência de que alguns termos, tais como Deus, pecado, encarnação, salvação e céu, provocam impressões na mente do ouvinte diferentes daquelas que produzem na mente do mensageiro”. E é a constatação desse fato que motivou os estudos atuais sobre contextualização. A Igreja não pode esquecer que ela se encontra como a ponte entre culturas, mas há uma cultura bíblica (na verdade, a Bíblia apresenta muitas culturas em interação e em conflito), há a cultura do mensageiro, há a cultura do ouvinte, mas, com a globalização, há muito mais culturas se encontrando e se estranhando no campo do que se possa imaginar. Além disso, a discussão de o que é a cultura do mensageiro e o que é o evangelho é sempre recorrente e faz parte da origem dos danos causados por quem não reflete antecipadamente sobre isso. Todavia, na ânsia de se buscar soluções para os erros cometidos na história, muitas vezes, o campo missionário viu a contextualização ser usada como um meio para se difundir a idolatria, o sincretismo e uma contextualização antropocêntrica, sendo todos extremamente danosos. Isto, por exemplo, revela-se na pergunta de Donald McGravran: “Por que algumas pessoas resistem ao evangelho mais do que outras?”. É uma pergunta extremamente perigosa, pois dá a entender que a resposta correta é o que fará com que os resistentes se abram à conversão. Talvez um dos maiores problemas do campo missionário é que muitas das estratégias propostas foram e são pensadas em bases teológicas diversas e conflitantes, sejam com as do mensageiro no campo transcultural ou até do autor que aqui escreve. É uma pergunta que parte do “fracasso” medindo-o na resposta ao evangelho apresentado. É possível fazer essa pergunta de uma maneira diferente? Sim. “Por que alguns missionários não se preparam responsavelmente para o desafio do campo transcultural?”, esta é uma pergunta que não direciona o foco para o sucesso e o fracasso da apresentação do evangelho, medindo-o pelos resultados obtidos. A nova pergunta que proponho é voltada para o missionário como aquele que precisa ser responsável diante de Deus fazendo tudo para a glória dEle, inclusive no que tange o seu preparo bíblico, teológico, antropológico e linguístico. O livro de Nicholls acerta, principalmente, num raio-x dos exageros do movimento de contextualização. Para ler mais, visite a minha página no site do Medium: https://ribaseribas1.medium.com/contextualiza%C3%A7%C3%A3o-biblioteca-2-ii-5a96e5bcf15a
