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    Nosso Musseque -

    Luandino Vieira

    CAMINHO
    2003
    139 páginas
    4h 38m
    ISBN-10: B009B0HVZW
    Português
    4
    12 avaliações
    Leram20Lendo2Querem17Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos3Desejados17Avaliaram12

    Nosso Musseque, escrito na prisão da PIDE em Luanda entre Dezembro de 1961 e Abril de 1962, manteve-se até hoje inédito. A sua publicação agora, 40 anos depois de ter sido escrito, revela um Luandino Vieira no seu melhor: um retrato do musseque luandense, retrato físico, paisagístico e humano, que só um grande escritor pode conseguir. A galeria de figuras humanas que o romance nos apresenta — Carmindinha, a jovem costureira; Capitão Abano, marinheiro de cabotagem; sô Augusto, o electricista, derrotado pela vida e convencido de que a pode derrotar com o seu famoso livro; Albertina, a prostituta branca do musseque, que vende e dá amor às mãos largas; Zito, o endiabrado conquistador compulsivo; e tantos, tantos outros, constituem um vasto mundo que, pela arte com que está apresentado neste livro, fascina o leitor e o arrasta irremediavelmente para dentro de si.

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    Lucas Giancristoforo  picture
    Lucas Giancristoforo 01/07/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Os efeitos da colonização no musseque angolano

    Gostei muito do livro. Mostra bem o musseque e todas as vivências daquele espaço. Pessoas que foram diariamente violentadas e silenciadas. A narração a partir das memórias e lembranças da infância faz o leitor caminhar junto daquelas crianças que pouco a pouco vão tomando consciência da realidade cruel que lhes é imposta. Uma ideologia colonial opressora e racista. É interessante como os moradores do musseque, uma espécie de comunidade popular, se unem em prol de se proteger e buscar um futuro melhor. Essa revolta do musseque, no final do livro, de certa forma metaforiza a guerra pela libertação e independência de Angola nos anos de 1960. O desejo pela liberdade. O desejo de poder ser. Livro lindo. Recomendo demais!

    1 curtida

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    Avaliações

    4 / 12
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    José Luandino Vieira profile picture

    José Luandino Vieira

    José Luandino Vieira, nascido José Vieira Mateus da Graça é um escritor angolano. Português de nascimento, passou a juventude em Luanda, onde concluiu os estudos secundários. Por combater nas forças do MPLA durante a Guerra Colonial, contribuindo para a criação da República Popular de Angola, adquiriu a cidadania angolana. Preso pela PIDE, pela primeira vez em 1959, acusado de ligações ao movimento independentista (Processo dos 50), acabaria condenado a catorze anos de prisão, em 1961. Antes disso a Sociedade Portuguesa de Autores, então presidida por Manuel da Fonseca, pretendera atribuir-lhe o Prémio Camilo Castelo Branco, pela seu livro "Luuanda". Essa acção fez com a PIDE/DGS levasse a cabo uma acção de desmantelamento da SPA. Luandino cumpriu a pena de prisão no Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, regressando a Portugal em 1972, com residência vigiada em Lisboa. Em 1975 regressou a Angola onde ficou até 1992. Foi director da Televisão Popular de Angola, de 1975 a 1978, diretor do Departamento de Orientação Revolucionária do MPLA, até 1979 e diretor do Instituto Angolano de Cinema, de 1979 a 1984. Participou na fundação da União dos Escritores Angolanos, de que foi Secretário-Geral (1975-1980 e 1985-1992). Foi também Secretário-Geral Adjunto da Associação dos Escritores Afroasiáticos (1979-1984). Com o fiasco das primeiras eleições livres (em 1992) e o reinício da guerra civil, acabou radicado no Minho. Vive em isolamento na propriedade de um amigo, e passou a dedicar-se à agricultura. Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Camões, o maior galardão literário para a língua portuguesa. Contudo, recusou o prémio alegando motivos íntimos e pessoais, segundo um comunicado de imprensa. Entrevistas posteriores, sobretudo ao Jornal de Letras, Artes & Ideias, esclareciam que o autor não aceitara o prémio por se considerar um escritor morto e, como tal, o Prémio deveria ser entregue a alguém que continuasse a produzir. Ainda assim publicou dois livros em 2006.

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    Vila Nova de Ourém, Portugal

    José Luandino Vieira