Quando realizei minha parceria com a Chiado Editora, eles foram muito atenciosos e bondosos comigo. Pediram-me que fizesse uma lista com o nome dos livros que gostaria de ler. Então, fui atentamente olhar os livros de seu catálogo e de cara, me interessei pelo livro In sexus veritas, de Pedro Chagas Freitas.
O meu interesse pelo livro não veio do fato de pensar num texto erótico. Não era o meu foco pegar histórias picantes e nem bancar o adolescente que pega algo tipo revistinha para se trancar no banheiro.
Percebi que o livro trabalharia o sexo de forma diferente com uma pegada filosófica. Na capa do livro, encontramos a pergunta: "Qual é afinal o poder do sexo no mundo actual?"
A questão me fez perceber que o livro propunha uma reflexão madura sobre algo que se faz presente de forma contínua no mundo. Confesso que senti um pouco de medo ao fazer a escolha, porque o livro tem 1344 páginas. Enfim, é um calhamaço.
O livro chegou e esperava um texto mais teórico com aspectos científicos, históricos, filosóficos, etc. Eu me enganei! O autor coloca a reflexão a partir da vida de alguns personagens:
- Jesus Cristovão - um homossexual incompreendido;
- João Judas - um homem que tem o dom de ler as mentes das pessoas usando as roupas delas;
- Ary Solvir - um futebolista filósofo;
- Filipe Momó - um comediante;
- Cátia Alessandra - uma prostituta;
- Fifinha Proust - uma psicóloga que é considerada prostituta da alma;
- Anibal Leites - um assassino que perdeu a motivação de matar, porém desejava reencontrá-la.
Todos os capítulos levam o nome dos personagens do livro. Quando falo todos, quero dizer sem exceção alguma. Nenhum capítulo tem numeração. É puramente o nome do personagem.
No princípio, achei estranha essa forma de colocar os títulos dos capítulos, mas depois me acostumei. Também me senti meio perdido com essa forma de reflexão via personagem, não pelo fato do método em si, mas pela expectativa que eu tinha.
Senti certa dificuldade com a linguagem do autor e comecei a pensar que não gostaria do livro. Porém, como sou persistente e curioso, a leitura foi se aclarando e percebi que o livro é fantástico.
O sexo tratado no livro não consistia apenas na prática da copula ou acasalamento. O sexo mencionado é a força vital que permeia os temas da vida humana: amor, morte, inveja, paixão, raiva, mentira, medo, etc.
Dessa forma, vemos o sexo como elemento essencial que se presentifica em todo comportamento humano dos seres humanos, ou seja, o livro fala de sexualidade. Por esse motivo, algumas vezes, o autor dava a impressão de que estava fugindo do tema central para abordar temas paralelos. Mas isso é um equívoco, o autor demonstra o poder do sexo pela sua presença, mesmo quando não sintamos sua força com claridade.
Por causa do trabalho reflexivo que o livro me proporcionou, pelo fato da obra ter aberto a minha mente para outras visões relativas ao sexo, classifico o livro com cinco estrelas no Skoob.