A atuação da imprensa não foi uniforme durante toda a ditadura. Muitos jornalistas que apoiaram o Golpe, em algum momento depois foram adversários do regime militar. Isto, somado ao interesse de construir a memória da atuação dos jornalistas, permitiu que uma outra versão dos fatos fosse contada. Um excelente exemplo disto é o livro O golpe de 64: a imprensa disse não, organizado pela jornalista Thereza Cesário Alvim, e publicado quinze anos depois acontecimento, em 1979, ano em que a ditadura já estava sendo desmontada e o país vivia a abertura e a anistia. Para a confecção deste livro foram escolhidos artigos de jornalistas, escritores, poetas e cronistas como Alceu de Amoroso Lima, Antônio Callado, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Heitor Cony, Edmundo Moniz, Newton Rodrigues, Otto Lara Resende, Otto Maria Carpeaux, entre outros. Grande parte dos jornalistas que tiveram suas crônicas coletadas para este livro foram aqueles que logo se arrependeram do apoio dado ao golpe. Um bom título para este volume, excetuando os que foram contra o regime desde o início, talvez fosse "os arrependidos". http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/os_jornalistas_e_o_golpe_de_1964