As sensações e pensamentos de um jovem em seu último dia; a improvável oposição entre uma ONG pré-vestibular e uma garota introvertida que guarda um segredo em seu passado; a luta persistente de um garoto por “sentir” Deus... Essas e outras histórias se desenrolam no decorrer das páginas que compõem os Contos Juvenistas, primeiro livro de Clayton de Souza. Sem incorrer na pintura caricatural ou idealista da adolescência, a escrita de Clayton de Souza paga tributo aos ensinamentos aprendidos dos grandes mestres da literatura mundial, influência que tinge as nove histórias aqui constantes de uma humanidade pulsante e de um valor universal, seu interesse atingindo todas as faixas etárias, não se caracterizando como literatura infanto-juvenil. Além de uma variedade linguística expressiva, cada história apresenta uma forma própria, um estilo distinto, a fim de unir expressão e conteúdo, fazendo com que a forma comunique tanto quanto o que por ela é narrado. Assim, essa forma que é o corpo mesmo das histórias se constitui, tanto quanto o conteúdo ficcional construído, uma parte importante do enredo, não raro excitando a imaginação do leitor. Este constantemente é solicitado a atribuir significados, a preencher lacunas, a imergir no passado dos personagens e, enfim, a ser cúmplice do próprio narrador que o convida à construção mesma desses alicerces.

