Uma Teoria Provisória do Amor -

    Scott Hutchins

    Companhia das Letras
    2013
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788535923186
    Português Brasileiro

    Uma modesta empresa de informática de San Francisco, a Amiante Systems, fundada e comandada pelo genial pioneiro Henry Livorno - hoje velho e decadente -, aposta todas as suas fichas na tentativa de criar o primeiro computador verdadeiramente inteligente do mundo. Para isso, contrata o ex-redator de publicidade Neill Bassett Jr. O motivo é simples: a memória do computador é alimentada pelos diários secretos escritos pelo pai de Neill, o dr. Basset, um médico do Arkansas que se suicidou quando o filho tinha dezenove anos. Dilacerado pelos dilemas morais envolvidos na operação de fazer reviver, ainda que virtualmente, o próprio pai, Neill ainda tem que lidar com a nova namorada desmiolada de vinte anos e com os encontros perturbadores com a ex-mulher. Narrada em primeira pessoa pelo protagonista, a história tem como pano de fundo a agitada e multifacetada região da baía de San Francisco, repleta de seitas místicas, templos do consumismo exacerbado, modernidade tecnológica, hippies tardios, nerds, práticas sexuais heterodoxas e esquisitices de toda espécie. Comparado a Nick Hornby por sua escrita leve e sua abordagem absolutamente contemporânea, Hutchins é visto hoje como um dos mais promissores talentos da nova geração norte-americana de escritores.

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    Maria Ferreira picture
    Maria Ferreira16/04/2017Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Relações modernas

    Nesse romance de estreia do autor, conhecemos Neil Basset Jr, um ex- redator publicitário que mora em San Francisco (por isso a capa) e atualmente trabalha em uma empresa de informática, Amiante Systemns. Apesar de não ser sua área de atuação, seu chefe tem muito interesse nele por um motivo primordial: a empresa está tentando desenvolver o primeiro computador inteligente do mundo a partir dos diários escritos pelo pai de Neil. Para ser considerado inteligente, o computador tem que passar no Teste de Turing, no qual, juízes conversam com um computador e com um ser humano, sem saber qual é qual. Se o computador, por trinta por cento do tempo conseguir convencer os juízes de que não é uma máquina, ele é considerado inteligente. Além disso, o leitor também pode acompanhar a vida de Neil como um todo, suas relações amorosas, familiares e interpessoais. Por causa do seu trabalho, que é aperfeiçoar o computador com base nos diários do pai dele, vemos como a relação dos dois nunca foi o que se pode chamar de boa, os dois nunca foram muito próximos de verdade e Neil, desde sua adolescência, quando seu pai cometeu suicídio, se sente culpado por não ter passado por um período de luto adequado, não sofreu pela morte do pai quanto que deveria ter sofrido. Com 36 anos, recém-saído de um divórcio, não busca aprofundar nenhuma relação com outras mulheres, até conhecer Rachel, uma jovem de vinte anos e ainda secundarista. A relação dos dois caminha para algo sério, mas no meio do caminho vão enfrentar algumas dificuldades práticas, como a diferença de idades e diferenças de objetivos e até de sentimentos. Este romance retrata bem a realidade do mundo atual ao não expor relacionamentos amorosos idealizados ou que deram certo, mas também aqueles que fracassaram. Aliado a isso, faz refletir sobre o caminho que as relações interpessoais estão tomando com os adventos tecnológicos que têm surgido, há cada vez mais uma maquinização das relações. Com isso, a pergunta que fica é: onde vamos parar com tanta tecnologia? Com tantas máquinas? Com cada vez menos tato e toque? Ainda que de uma modo mais discreto, o livro também critica a sociedade de consumo, a compra não consciente de coisas que nem precisamos, mas que pensamos precisar para nos sentirmos melhor por termos aquilo que nem precisamos. O livro prende porque queremos saber se Neil e seus colegas de trabalho vão conseguir fazer com que o computador deles passe no teste de Turing e também queremos ver como vai ficar a relação com a Rachel. Como o livro é narrado em primeira pessoa por Neil, só temos a visão dele, senti vontade de ver as coisas pela ótica da Rachel também. É um livro que tem movimento, não é uma leitura parada, tem altos e baixos e faz o leitor refletir. O autor fez uma ótima estreia.

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