Romances policiais são sempre gratas surpresas aos leitores, com aquelas histórias que envolvem crimes complexos (ou óbvios até demais) e repletas de revelações bombásticas. Sangue em Pó também é uma grata surpresa, pois a narrativa acaba envolvendo e chamando o leitor para desvendar alguns fatos sem resposta.
O enredo começa a esquentar logo nas primeiras páginas, quando um avião sai da Nigéria rumo à Espanha, mas no decorrer do caminho vinte passageiros falecem sem um motivo aparente. A Interpol, organização internacional que auxilia as polícias de vários países, entra nas investigações e nos deparamos com uma equipe composta por três investigadores de diferentes nacionalidades que busca solucionar o caso.
Ao procurar informações sobre o acidente, a organização percebe rapidamente quem são os envolvidos e chegam a conclusão de que os narcotraficantes também foram prejudicados, principalmente Peter, Lars Van Gogh e Javier, velhos conhecidos do mundo da distribuição e fornecimento das drogas.
Mas a investigação não é tão fácil quanto aparenta e todos os detalhes, por menores que sejam, são cruciais para montar esse grande quebra-cabeça. As coisas ficam ainda piores com a morte de um dos traficantes em frente à Torre Eiffel. Que belo lugar para morrer, não? Mas a Interpol acredita que há mais caroço nesse angu. As investigações se intensificam e a equipe de investigadores aumenta com a complexidade do caso, ocasionando até o surgimento de um casal.
Enquanto isso, os traficantes procuram formas de escapar da mira dos investigadores, no entanto o sucesso na fuga nem sempre acontece. É cada burrice do pessoal que dá vontade de rir para sempre.
O livro se mostra interessante na forma como a investigação foi exposta, mostrando cada passo da equipe da Interpol, os termos técnicos utilizados (sem ser muito chato) ou como os investigadores pensam em um caso complexo. Outro ponto que merece destaque são as histórias paralelas a principal que, algumas vezes, foram bem mais interessantes do que o próprio processo de investigação. Já a pior parte foram as letras pequenininhas. Não sei se é por conta da minha cegueira, mas me senti incomodada com o tamanho, o que acabou prejudicando o andamento da leitura.
Sangue em Pó possui várias surpresas e outros acontecimentos que nos faz pensar se aquilo realmente aconteceu ou se é apenas mais uma mentira em meio a outras tantas. É uma ótima pedida em meio a tantos livros investigativos estrangeiros. Ponto para os brasileirinhos.