Quem ajudou a Hitler -

    I. Maiski

    Civilização Brasileira
    1966
    212 páginas
    7h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Livro escrito pelo diplomata Ivan Maiski, embaixador em Londres de 1932 a 1943 e participante da famosa Conferência de Ialta, que reuniu os Quatro Grandes, explica as razões que levaram a URSS a firmar o célebre e até hoje controvertido tratado de não agressão germano-soviético. São personagens destas empolgantes e reveladoras memórias, Chamberlain, Lord Halifax, Maxim Litvínov, Winston Churchill, Lloyd George, Ànthony Eden, entre outros homens que tiveram em suas mãos a terrível responsabilidade do destino humano numa hora de medo, ameaça e perigo. Depoimento sereno, objetivo, vivo e dramático, a um só tempo, esta obra lança novas luzes sobre o discutido comportamento da União Soviética em grave momento de sua História e da História de todos os povos.

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    Doney Corteletti Stinguel11/05/2022Resenhou um livro
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    Lista de Livros: Quem ajudou a Hitler, de Ivan Maiski

    Parte I: “É útil recordar o que ocorreu às vésperas da segunda conflagração universal. Importa, sobretudo, mostrar a fenomenal cegueira histórica dos governos das potências ocidentais daqueles tempos, que não viram nem quiseram ver o abismo a que arrastavam a humanidade. O quadro vivo dessa cegueira — oriunda do seu ódio ao comunismo, ao Estado soviético — e de suas funestas consequências pode ajudar os elementos mais sensatos do setor capitalista dos nossos dias a assimilar os ensinamentos do passado recente e, com isso, facilitar a vitória das forças da paz sobre as forças da guerra.” * “O objetivo de Chamberlain consistia em “apaziguar” os ditadores fascistas como meio de estabelecer a “segurança ocidental”. É claro que isso não passava de uma idiotice, como dissera Churchill; porém o ódio de classe ao Estado socialista era tão grande em Chamberlain (e não somente nele) que lhe ofuscava por completo o espírito. Em suas memórias de guerra, Churchill assinala ironicamente ao falar de Chamberlain e de sua atitude perante Hitler: “Mister Chamberlain animava-se da esperança de apaziguá-lo e reformá-lo para levá-lo depois a plena mansidão”. Churchill atém-se nesse trecho a maneiras literárias polidas. Porém nas conversações particulares expressava-se com muito mais rudeza. Recordo-me de que um dia me disse: — Neville é um imbecil... Pensa que se pode cavalgar um tigre.” Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/04/quem-ajudou-hitler-parte-i-de-i-maiski.html XXXXXXXXXXX Parte II: “Os representantes soviéticos tinham a esperança de que a tragédia da Tchecoslováquia talvez houvesse aberto os olhos até dos clivedenianos, fazendo-os ver o perigo que implicava para a própria Inglaterra o “apaziguamento” de Hitler e que, em vista disso, o governo de Chamberlain acedesse, por fim, a colaborar, eficazmente, com a URSS para conjurar a Segunda Guerra Mundial. Porém, no caso dessa esperança resultar em pura ilusão, era mister intentar, de todas as formas, um acordo com Chamberlain e Daladier. Daí ter o governo soviético respondido com rapidez tão fenomenal (no mesmo dia!) à indagação formulada pelo governo britânico em 18 de março e feito proposta que lhe testemunhava a disposição de adotar medidas eficientes contra o perigo que ameaçava a Romênia. Muito diverso foi o comportamento do lado britânico, isto é, do governo de Chamberlain, concretamente. Conforme demonstraram os ulteriores acontecimentos, a tragédia da Tchecoslováquia nada, absolutamente, havia ensinado a camarilha de Cliveden. A linha geral do governo de Chamberlain não se alterou em coisa alguma. Esse governo continuou a cifrar as suas esperanças principais no desencadeamento de uma guerra germano-soviética; por isso indispor-se com Hitler era o que menos desejava. Chamberlain, (neste e nos sucessivos casos, refiro-me a ele não só como pessoa, mas também como encarnação da maioria do Partido Conservador) ainda seguia a política do ódio de classes relativamente à URSS e essa paixão o cegava de tal modo que não via, nem queria ver o abismo que com crescente evidência se abria, precisamente naquele momento, ante a Grã-Bretanha. Daí também dimanava a sua conduta durante as negociações de 1939. Se se houvesse preocupado, efetivamente, com a preservação da paz, conforme declarou em mais de uma ocasião, o Primeiro-Ministro inglês teria aproveitado com alegria a proposta que lhe fez a União Soviética em 18 de março. E, se tivesse isso feito, todo o curso dos ulteriores acontecimentos haveria tomado outros rumos. É possível e até provável que, nesse caso, não tivesse havido a Segunda Guerra Mundial. Chamberlain, contudo, tal qual um pássaro carpinteiro, continuou repisando, teimosamente, um ponto: a guerra sovieto-alemã! Por isso, em 18 de março, longe de apertar com alegria a mão que lhe estendia a URSS, começou a sabotagem sistemática de todas as tentativas de colaboração honesta com o governo soviético, sabotagem que informou a conduta da Inglaterra até o fim das negociações. Chamberlain estava tão fundamente certo da infalibilidade dos seus cálculos políticos e da inevitabilidade do choque germano-soviético que nem sequer observou que a guerra se aproximava, furtivamente, de seu país muito antes de atingir a União Soviética.” * * “É claro que a política da camarilha de Cliveden, zelosamente aplicada por Chamberlain, era cega e estúpida, conforme demonstraria o desenvolvimento dos ulteriores acontecimentos. Mas é o que sempre ocorre, quando o poder se acha, em momento crucial da história, nas mãos dos representantes da reação e do obscurantismo.” * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/04/quem-ajudou-hitler-parte-ii-de-i-maiski.html XXXXXXXXXX Parte III: “Chamberlain teve a ideia de apoiar-se nos precedentes do passado para se defender dos ataques que lhe eram feitos pela sabotagem das negociações. Disse que as negociações relativas à aliança anglo-japonesa de 1903 haviam durado seis meses: a Entente anglo-francesa de 1904 exigira nove meses de negociações e a Entente anglo-russa de 1907, quinze meses... A conclusão era clara; as negociações que, então, se mantinham com a URSS duravam, apenas, quatro meses e meio. Que era, pois, que se queria dela? É difícil de imaginar exemplo mais claro de inatividade política do que esses argumentos do Primeiro-Ministro britânico, em um momento no qual estava a ponto de se desencadear uma tormenta histórica. Apesar da indignação dos mais vastos setores da opinião pública inglesa, Chamberlain continuou fiel a sua linha geral, sem perder a esperança de atirar a Alemanha contra a URSS, conforme provavam todos os atos do governo britânico, inclusive naquele instante tardio.” * * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2022/04/quem-ajudou-hitler-parte-iii-de-i-maiski.html XXXXXXXXXXXXXXXX Parte IV: “Sabe-se que — dizia nessa nota o chefe do governo soviético — os Estados Unidos, assim como a Grã-Bretanha e a França, não chegaram, então, sequer à conclusão de que era necessário colaborar com a União Soviética para fazer frente à agressão hitlerista, apesar de o governo soviético ter-se declarado constantemente disposto a isso. Nas capitais dos Estados ocidentais prevaleceram, durante longo tempo, as aspirações opostas... Só quando a Alemanha fascista, após deitar por terra os cálculos míopes dos inspiradores de Munique, voltou-se contra as potências ocidentais, só quando o exército hitlerista iniciou o seu avanço para o Ocidente, esmagando a Dinamarca, a Noruega, a Bélgica e a Holanda e precipitando-se sobre a França, os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha não tiveram outro remédio senão reconhecer os seus erros de cálculo e trataram de organizar, conjuntamente com a União Soviética, a resistência à Alemanha e à Itália fascistas e ao Japão. Se a política das potências ocidentais tivesse sido mais perspicaz, essa colaboração da União Soviética, Estados Unidos, Grã-Bretanha e França poderia ter-se estabelecido muito antes, já nos primeiros anos que seguiram a tomada do poder por Hitler na Alemanha e então não teria havido ocupação da França, nem Dunquerque, nem Pearl Harbor Então, teria sido possível preservar os milhões de vidas dados pelos povos da União Soviética, Polônia, Iugoslávia, Inglaterra, Tchecoslováquia, Estados Unidos, Grécia, Noruega e outros países para dominar os agressores”.” * Mais do blog Lista de Livros em:

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