Antes de começar a resenha de A Ilha dos Dissidentes, preciso dizer que estava desesperada para ler fazia um bom tempo! Devorei o livro em poucos dias e fui agraciada com uma leitura fantástica, rápida e bem estruturada.
Sob o ponto de vista de Sybil Varuna, somos apresentados ao universo distópico criado pela Bárbara Morais. Esse mundo tem pontos notáveis na sua construção, como a guerra entre a União e o Império, que ocorre há muito tempo, e as cidades anômalas, onde os mutantes daquele continente convivem em paz, longe dos humanos. Cada um tem o seu espaço em sua determinada cidade.
Sybil é única sobrevivente de um horrível naufrágio. Isso acontece devido aos seus poderes recém-descobertos. E, depois de resgatada, tem a chance de viver uma vida melhor numa das cidades anômalas. Como nada são flores, no entanto, e pouca felicidade já tá bom demais, eis que Sybil é escolhida para uma importante missão. Só que, para cumpri-la, ela e seus amigos vão precisar se infiltrar na ilha dos dissidentes.
A narrativa de Bárbara é bem rápida e sucinta. É um livro que te prende do começo ao fim. Com personagens carismáticos, de personalidades bem construídas, e com uma protagonista muito legal! Apesar da primeira pessoa ditando a narrativa, temos uma visão bastante completa da história.
O universo criado pela autora em A Ilha dos Dissidentes, também, é muito bem explicado. A guerra, os anômalos, a separação das cidades e dos moradores dela, tudo isso faz sentido conforme Sybil nos conta os porquês.
Eu senti um pouco de falta de flashbacks sobre os períodos da Sybil na zona de guerra, mas gostei de ver isso como o fato de a protagonista ter começado uma vida nova. Então ficar pensando não só no naufrágio, como naqueles que deixou para trás, atrapalharia essa nova vida.
"Antes que Andrei possa me impedir, estou engatinhando em direção à última grade pela qual passamos e a desparafusando.Então, estou fora.Então, estou no inferno."
Os anômalos são ótimos. A realidade vivida por eles, a opressão e o terror e o preconceito que regem a sociedade em que vivem é perturbadora. E não é muito diferente da maneira com que algumas pessoas tratam quem difere da aclamada "normalidade".
O poder da Sybil foi uma grata surpresa. Quero muito que ela trabalhe essa habilidade no segundo livro. O potencial de crescente da narrativa combina com o que a personagem ainda tem a oferecer. A Ilha dos Dissidentes é um pequeno capítulo na grandiosidade dessa história.
"Grande parte da movimentação em territórios pacificados se dá por transportes subterrâneos, a pé ou bicicleta. Para nós, acostumados com a guerra, é uma atitude idiota. E se o conflito os alcançasse, o que fariam? Demoliriam os prédios para criar passagem. Mas enquanto passo pela segurança para pegar o metrô em direção a cidade das aberrações, fica claro para mim que a guerra nunca chegará aqui. Aquelas pessoas não têm noção alguma dos horrores de uma batalha."
Os coadjuvantes ajudam muito a narrativa a andar. E oferecem suas próprias histórias no desenrolar dela, como bons personagens secundários.
Preciso desesperadamente do livro 2. Preciso saber quais serão as consequências da escolha da Sybil. A Ilha dos Dissidentes é, para quem ama distopias, a leitura ideal. Tem ação, reviravoltas e personagens maravilhosos na medida certa!