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    Catálogo de Luzes - (Os meus melhores contos)

    José Eduardo Agualusa

    Gryphus Editora
    2013
    234 páginas
    7h 48m
    ISBN-13: 9788560610976
    Português Brasileiro
    3.9
    12 avaliações
    Leram17Lendo1Querem19Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados19Avaliaram12

    Catálogo de luzes (os meus melhores contos) reúne algumas dessas e outras histórias, destaques da carreira do autor, selecionados pelo próprio Agualusa. A diversidade é a marca da antologia, cujos contos saltam do realismo fantástico para o político, passando pela religião; de fatos corriqueiros para conceitos filosóficos ou tiradas inusitadas com alta voltagem de humor. Assim acontece com a velha senhora desiludida com a luz elétrica de “Porque é tão importante ver estrelas”: “Tendo deixado de se confrontar, todas as noites, com o ilimitado, o infinito, a fantástica imensidão do universo - os homens perderam a humildade, e com a humildade perderam a razão, o desvario do mundo está na opinião dela, diretamente ligado ao êxodo rural e à multiplicação vertiginosa das grandes cidades.”

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    Guilherme Marques picture
    Guilherme Marques29/04/2017Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Entre o realismo mágico e o ativismo reacionário e ingênuo

    Bebendo profundamente do realismo mágico africano e até mesmo latino-americano (Agualusa, apesar de angolano, parece ter muito contato com obras daqui), Catálogo das Luzes é uma coletânea de contos que, contudo, nem sempre transmitem muito bem essa magia. Explico: Agualusa vai muito bem quando não trata de política, mas infelizmente deixa transparecer sua oposição ao regime socialista de Angola em grande parte dos contos aqui publicados. Mas não é só isso, é claro: contos como "Nada a declarar" (inteiramente machista) não deveriam ter sua publicação sequer cogitada numa coletânea que pretende reunir os melhores do autor. Não bastasse isso tudo, suas descrições de Brasil e de brasileiros são travadas, clichês e em quase nada parecidas com a realidade. Enfim, é um livro desnivelado, que poderia ser muito bom, mas acaba sendo demais - demasiadamente inverossímil e reacionário (e ingênuo!), manchando de morte o que há de muito bom nele (como Cátalogo de Sombras, A incrível estória, O Inferno de Borges, etc.)

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    3.9 / 12
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    José Eduardo Agualusa profile picture

    José Eduardo Agualusa

    Agualusa é um dos mais importantes escritores em língua portuguesa da atualidade. Nascido em Angola, mudou-se ainda jovem para Portugal, para estudar agronomia e silvicultura. Acabou alterando a sua carreira para o jornalismo, passando a colaborar para vários jornais, entre eles o <i>Público</i>. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas, e em 2016 foi um dos finalistas do Prêmio Man Booker, pelo romance <i>Teoria geral do esquecimento</i>. É autor de romances, contos, novelas, livros infantis e peças de teatro. Sua estreia ocorreu, em 1988, com <i>A conjura</i>, romance que lhe valeu o Prêmio Sonangol Revelação de Literatura de Angola. Seus livros percorrem muitas realidades, mas estão mais centrados em personagens do que em lugares. Alguns deles são baseados em figuras reais como a poetisa Lídia do Carmo Ferreira (<i>Estação das chuvas</i>) e a rainha Ana de Sousa (<i>A rainha Ginga</i>). Também publicou <i>Nação crioula</i>, vencedor do Grande Prêmio de Literatura RTP, <i>Fronteiras perdidas, Barroco tropical</i>, e <i>O vendedor de passados</i>, que ganhou o Prêmio Independente de Ficção Estrangeira do jornal <i>The Independent</i>. Em 2017, venceu o Dublin Literary e, com o prêmio em dinheiro recebido, pretende instalar uma biblioteca pessoal na Ilha de Moçambique, aberta aos habitantes do local. José Eduardo Agualusa acredita que os livros são um território de pensamento e a literatura é um exercício permanente de colocar-se na pele do outro.

    52 Livros
    151 Seguidores

    José Eduardo Agualusa