Genshiken foi o primeiro mangá que li na vida, queria novas experiências para 2026 porque para mim é algo performático a se fazer. Foi escolhido na sorte, sem grande familiaridade com esse universo e sem conhecer muito sobre a cultura otaku ou sobre a tradição dos mangás em si, eu deveria ter pesquisado mais, porque gastei dinehiro atoa. Minha expectativa era encontrar algo mais interessante, envolvente e acessível para uma primeira experiência, fui tapiada. A leitura acabou sendo mais difícil e frustrante do que eu esperava. Eu deveria ter começado pir algum mangá que eu já tivesse visto o anime, ou te pesquisado no mínimo sobre o que se tratava.
A história acompanha estudantes universitários que participam do clube de estudos da cultura pop japonesa, o Genshiken. O protagonista, Kanji Sasahara, é um personagem pouco carismático, funcionando mais como um estereótipo genérico de otaku do que como alguém com profundidade ou personalidade marcante, no início ele tem muita vergonha dos gostos dele, e com razão, porque é vergonhoso. Sua falta de carisma torna o início da obra especialmente cansativo demorei mais de dois dias para ler apenas o primeirocapítulo, dificultando o envolvimento com a narrativa. Em contraste, Kosaka se mostra um personagem mais interessante, justamente por transitar entre o universo otaku e um comportamento social mais convencional, o que o torna mais humano e menos caricato, mas ele tem o desenvolvimento de uma porta.
Um dos principais problemas da obra está no excesso de sexualização e fetichização. Muitas situações, diálogos e referências a jogos, mangás e animes reforçam uma visão sexista e, em diversos momentos, misógina. Em vez de apresentar essas atitudes como algo claramente problemático, o mangá frequentemente parece apenas reproduzi-las, o que causa desconforto e enfraquece ainda mais a experiência de leitura. Pareceu tudo uma grande romantização de um problema real.
Nesse cenário, Saki, uma das únicas personagens femininas a história, se destaca como a personagem mais lúcida e próxima do que eu consideraria “normal”. Ela representa um olhar crítico dentro do grupo, questionando comportamentos que os demais tratam como banais. Ainda assim, a narrativa frequentemente a coloca como a estranha ou deslocada, o que reforça a sensação de que a obra tende a normalizar dinâmicas problemáticas, em vez de realmente problematizá-las.
Além das questões narrativas, a experiência também foi desafiadora por ser meu primeiro contato com o formato mangá. Embora eu já soubesse, em teoria, que a leitura é feita de trás para frente e da direita para a esquerda, na prática isso exigiu um esforço maior de adaptação.
Além disso, diferentemente de um gibi ocidental, como Turma da Mônica, que pode ser lido rapidamente, o mangá apresenta muito mais detalhes visuais, o que torna a leitura mais lenta e exige mais atenção. O excesso de estímulos visuais acabou atrapalhando meu foco em vários momentos, tornando a leitura mais cansativa do que prazerosa. Porém isso é falta de costume da minha parte, não mais uma crítica ao mangá.
Por outro lado, é importante reconhecer um ponto positivo: o estilo de arte. Os desenhos, embora caricatos, são bonitos e bem executados, um dos únicos pontos positivosda história. Os personagens canonicamente bonitos realmente são retratados como muito atraentes, e o uso de cores na capa, contracapa e páginas iniciais é visualmente agradável. Os traços são bem trabalhados e demonstram cuidado artístico. Ainda assim, para alguém que não está acostumada com esse tipo de mídia, esse superestímulo visual, mesmo sendo bonito, acabou funcionando mais como um obstáculo para o meu cérebro.
Outro elemento interessante é o glossário, que explica termos, jogos, animes e referências citadas ao longo da obra. Essa parte funciona quase como um material informativo e cultural, sendo, para mim, mais interessante do que a própria história.
No geral, Genshiken foi uma experiência péssima como primeiro mangá, e como história no geral, não recomendo nem para o meu pior inimigo. A narrativa é fraca, os personagens são pouco cativantes, e a abordagem excessivamente sexualizada, fetichizada e problemática em relação às personagens femininas compromete seriamente a obra. Por esses motivos, não pretendo continuar a série.
A sensação final é resumida perfeitamente pelo meme: “It Is so bad. I wanna give you a zero, but that’s not possible. So I give you a one.”