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    Nuvens de Pássaros Brancos -

    Yasunari Kawabata

    Nova Fronteira
    1969
    190 páginas
    6h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.7
    87 avaliações
    Leram155Lendo5Querem200Relendo1Abandonos8Resenhas10
    Favoritos4Desejados200Avaliaram87

    A cerimônia do chá é o palco deste livro de Kawabata ao retratar um Japão se reconstruindo após a II Guerra Mundial. O autor resgata valores tradicionais do país ao descrever uma sociedade em transformação, assediada pelos valores ocidentais. Originalmente publicada em capítulos por revistas japonesas, "Mil Tsurus" é cheio de personagens intrigantes. Durante uma cerimônia do chá, o jovem Kikuji Mitani encontra duas amantes de seu falecido pai, se envolve com as duas e inicia um romance com uma delas, a viúva Ota. O passado desperta sentimentos conflituosos enquanto o autor comprova seu conhecimento da antiga cultura japonesa, enaltecendo sua importância. No Brasil, o livro foi traduzido com os títulos "Nuvens de Pássaros Brancos" (pela Nova Fronteira) e "Mil Tsurus" (pela Estação Liberdade).

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    Ladyce West picture
    Ladyce West01/01/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma teia feminina cuidadosamente construida

    Foi durante o Carnaval de 2009 que encontrei a paz necessária para me dedicar à leitura de Nuvens de pássaros brancos [Nova Fronteira: 1969], meu primeiro livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1968 e considerado um dos maiores escritores do século XX no Japão. Neste livro, que curiosamente também foi editado no Brasil, por outros editores, com um outro nome: Mil Tsurus, seguimos os problemas de Kikuji Mitani, que depois da morte de seu pai acaba se encontrando durante uma cerimônia de chá com duas antigas amantes do falecido: a viúva Ota e Chikako Kurimoto. A partir deste momento, Kikuji é um pequeno inseto preso nas teias que essas mulheres tecem à sua volta. Chikako luta por arranjar um casamento para Kikuji. E a senhora Ota, passa a ter um relacionamento amoroso com Kikuji, filho de seu antigo amante. Há ainda a bela e sedutora Fumiko, filha da Sra. Ota, que aos poucos cava um lugar para si própria no coração de Kikuji. As intrigas entre todas as mulheres são constantes e bastante malévolas. E mesmo sem ser uma conhecedora da literatura japonesa em geral elas me lembraram as intrigas da corte, tão bem retratadas nas histórias de Genji. Mesmo através de tradução, neste caso feita por Paulo Hecker Filho, podemos sentir uma linguagem extremamente poética e delicada, quase ritualística, um paralelo perfeito aos procedimentos da cerimônia do chá, que neste romance tem papel central no desenvolvimento da trama, servindo também de contraponto de beleza e serenidade a um mundo que apesar de dominado por gestos gentis, pela beleza das mulheres, é repleto de disse-me-disses, de alfinetadas, que criam distúrbios numa vida que poderia, outrossim, ser tão bucólica e meticulosa quanto a cerimônia em questão. Surpreendente, é ver este jovem, que capaz de desfrutar dos prazeres sensuais mais diversos, capaz de imaginar prazeres e de se render ao desejo sexual, se deixar dominar não só pelos rituais e costumes da boa forma, como e principalmente pelas mulheres que o cercam. Kikuji é quase uma vítima de conjecturas femininas, de ações que por pouco não lhe destituem de todo, ou quase todo, o poder sobre sua vida. Reconheço que, provavelmente para apreciar devidamente, para saborear as descrições sensíveis dos personagens, deveria ser útil uma maior familiaridade com a cerimônia do chá no Japão. No entanto, mesmo sem este conhecimento, reconheço a felicidade de certas imagens que Kawabata seleciona no romance, como as marcas de batom da Sra. Ota no mizusachi , uma imagem belíssima, poética e representativa da presença permanente desta senhora em sua vida e na vida de sua filha. Estudiosos da obra de Kawabata dizem que há três assuntos que permeiam os romances do autor: o mundo feminino, a sexualidade humana e o tema da morte. Todos os três estão presentes neste romance. Todos delicadamente manuseados, talhados, desenhados para que se incluam no romance com naturalidade e poesia. Com mestria. Recomendo a leitura deste livro. É fascinante, mesmo que às vezes se tenha a noção de não se estar captando tudo, tudo que foi selecionado e representado pelo autor, por falta de familiaridade com a cultura japonesa. Não importa. Vale a pena.

    8 curtidas

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    Avaliações

    3.7 / 87
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas37%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas2%
    Yasunari Kawabata profile picture

    Yasunari Kawabata

    Prêmio Nobel de 1968, Yasunari Kawabata é considerado um dos representantes máximos da literatura japonesa do século XX. Nascido em Osaka em 1899, interessou-se por livros ainda adolescente, principalmente clássicos do Japão, que viriam a ser uma de suas grandes inspirações. Kawabata estudou literatura na Universidade Imperial de Tóquio e foi um dos fundadores da Bungei Jidai, revista literária influenciada pelo movimento modernista ocidental, em particular o surrealismo francês. Acompanhado de jovens escritores, defenderia mais tarde os ideais dacorrente neo-sensorialista (shinkankakuha), que visava uma revolução nas letras japonesas e uma nova estética literária, deixando de lado o realismo em voga no Japão em prol de uma escrita lírica, impressionista, atravessada por imagens nada convencionais. Ao contrastar o ritmo harmônico da natureza e o turbilhão da avalanche sensorial, Kawabata forjou insólitas associações e metáforas táteis, visuais e auditivas que surpreendem por revelar os processos de fragilização do ser humano diante do cotidiano, numa composição surrealista de elementos da cultura e filosofia orientais, personagens acuados e cenários inóspitos. Sua obsessão pelo mundo feminino, sexualidade humana e o tema da morte (presente em sua vida desde cedo, sob a forma da perda sucessiva de todos seus familiares) renderam-lhe antológicas descrições de encontros sensuais, com toques de fantasia, rememoração, inefabilidade do desejo e tragédia pessoal. Desgastado por excesso de compromissos, doente e deprimido, Kawabata suicidou-se em 1972.

    38 Livros
    234 Seguidores
    Kinki, Japão

    Yasunari Kawabata