Antes, o verão -

    Carlos Heitor Cony

    Civilização Brasileira
    1964
    172 páginas
    5h 44m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Antes, o verão, é considerado um dos livros mais marcantes e líricos de Carlos Heitor Cony. Conta a história de um homem na faixa dos 40 anos que constrói uma bela casa de frente para o mar, em Cabo Frio, litoral do Rio de Janeiro, para morar com a mulher, Maria Clara, e os filhos. Bem-sucedido nos negócios, Luís é um homem que se julga independente e que escapou da influência do poderoso sogro, um empresário que desaprovara a união com Maria Clara. E a construção da nova casa parecia refletir o auge de sua vida profissional e pessoal. Já instalados em Cabo Frio, Luís e Maria Clara amam-se como nos tempos de recém-casados. Mas nem tudo corre como planejado. Construída em local desabrigado, praticamente de-serto, a casa não resiste aos ventos da região, que carregam areia e minúsculos grãos de sal para todos os cômodos. Assim como a casa, seu casamento também começa a ruir. Na opinião de Otto Maria Carpeaux, Antes, o verão, publicado em 1964, alçou Cony ao patamar de autores como Sartre, Beckett e Moravia. Chegou a ser adaptado para o cinema em 1968, com Norma Bengell e Jardel Filho nos papéis principais.

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    Dankar Bertinato30/09/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O verão acabou

    Em resumo, este romance de Cony faz uso de uma casa de praia recém-construída que se enche constantemente de areia e sal para representar as ruínas de um relacionamento. Isso já seria o suficiente para render uma boa história, mas a coisa vai ainda além disso. Poderia também ser um mero romance de costumes (como bem pontua Otto Maria Carpeaux no prefácio), estendendo-se sobre questões como o adultério, a hipocrisia e o egoísmo, e, de fato, tudo isso está presente no livro, mas apenas enquanto materialização em ação de uma série de questões metafísicas e, portanto, mais densas. Cony é um verdadeiro existencialista, nos moldes mais sartrianos possíveis. A matéria com que ele lapida esta pequena obra é o desespero, o desencanto, o desinteresse. É a matéria de um autor que entende que as grandes obras literárias são feitas a partir de temas universais, a partir da humanidade da própria humanidade. Antes, o Verão é uma dessas grandes obras. Sua profundidade psicológica e seu lirismo cortante situam o romance entre os trabalhos de gente como Lúcio Cardoso, Cornélio Pena e Raduan Nassar, autores de verdadeiras tragédias, que constituem uma grande parte do que nossa literatura tem de melhor. Além disso, possui uma estrutura narrativa maravilhosa, com alterações precisas entre a primeira e a terceira pessoa e um uso extremamente inteligente do tempo verbal no presente. É uma pena que algo tão bom assim não seja muito reconhecido.

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