(Orelha) O trabalhador da indústria automobilística que vai ao seu jardim em busca de uma atividade que lhe proporcione sentido e prazer, os indígenas de Chiapas que criam um espaço autônomo e o defendem contra paramilitares que os assediam e os amigos em Porto Alegre que formam um coro, simplesmente porque gostam de cantar, todos eles podem não saber, mas John Holloway enxerga um sentido comum em suas ações: um movimento de recusa e de criação. Assim como a enfermeira em Seul que faz todo o possível para ajudar seus pacientes, o idoso que vive em um prédio feio de Beirute e cultiva plantas na janela como revolta contra a selva de concreto que o cerca, o grupo de amigos sem-teto em Roma que ocupa uma casa vazia e se recusa a pagar aluguel e a garota em Tóquio que não vai trabalhar hoje e sim ler um livro no parque. Para Holloway, são muito diferentes e ainda assim com uma ressonância que seria muito equivocado negligenciar. São rebeldes, não vítimas; sujeitos, não objetos. O que você tem em mãos é um tratado sobre a inadequação e sua potência para a criação de fissuras no capitalismo: outras formas de viver, espaços ou momentos de solidariedade e cooperação, dignidades. A abordagem nada tradicional do legado de Marx, já conhecida dos leitores de "Mudar o mundo sem tomar o poder", retorna intensificada neste volume, onde o autor centra fogo contra o trabalho abstrato, o processo de negação da autodeterminação social. Mas esta crítica não é proposta do ponto de vista da abstração do trabalho, e sim do que está em seu centro: a atividade humana que a produz. Nós tecemos a teia que nos mantém prisioneiros. Interessa aqui a revolta do fazer contra o trabalho abstrato. A fissura onde o fazer autodeterminado transborda do trabalho. Se a abstração do fazer em trabalho é a maneira pela qual a atividade humana é organizada, se, afinal, nós mesmos a produzimos, então podemos rompê-la. Podemos parar de produzir o capitalismo e fazer algo diferente, sensato, belo e prazeroso em seu lugar. A revolução não é a destruição do capitalismo, mas a recusa em criá-lo.
Fissurar o capitalismo -
John Holloway
Publisher
2013
270 páginas
9h 0m
ISBN-13: 9788585938772
Português Brasileiro
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