Fissurar o capitalismo -

    John Holloway

    Publisher
    2013
    270 páginas
    9h 0m
    ISBN-13: 9788585938772
    Português Brasileiro

    (Orelha) O trabalhador da indústria automobilística que vai ao seu jardim em busca de uma atividade que lhe proporcione sentido e prazer, os indígenas de Chiapas que criam um espaço autônomo e o defendem contra paramilitares que os assediam e os amigos em Porto Alegre que formam um coro, simplesmente porque gostam de cantar, todos eles podem não saber, mas John Holloway enxerga um sentido comum em suas ações: um movimento de recusa e de criação. Assim como a enfermeira em Seul que faz todo o possível para ajudar seus pacientes, o idoso que vive em um prédio feio de Beirute e cultiva plantas na janela como revolta contra a selva de concreto que o cerca, o grupo de amigos sem-teto em Roma que ocupa uma casa vazia e se recusa a pagar aluguel e a garota em Tóquio que não vai trabalhar hoje e sim ler um livro no parque. Para Holloway, são muito diferentes e ainda assim com uma ressonância que seria muito equivocado negligenciar. São rebeldes, não vítimas; sujeitos, não objetos. O que você tem em mãos é um tratado sobre a inadequação e sua potência para a criação de fissuras no capitalismo: outras formas de viver, espaços ou momentos de solidariedade e cooperação, dignidades. A abordagem nada tradicional do legado de Marx, já conhecida dos leitores de "Mudar o mundo sem tomar o poder", retorna intensificada neste volume, onde o autor centra fogo contra o trabalho abstrato, o processo de negação da autodeterminação social. Mas esta crítica não é proposta do ponto de vista da abstração do trabalho, e sim do que está em seu centro: a atividade humana que a produz. Nós tecemos a teia que nos mantém prisioneiros. Interessa aqui a revolta do fazer contra o trabalho abstrato. A fissura onde o fazer autodeterminado transborda do trabalho. Se a abstração do fazer em trabalho é a maneira pela qual a atividade humana é organizada, se, afinal, nós mesmos a produzimos, então podemos rompê-la. Podemos parar de produzir o capitalismo e fazer algo diferente, sensato, belo e prazeroso em seu lugar. A revolução não é a destruição do capitalismo, mas a recusa em criá-lo.

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    Daniel Cunha picture
    Daniel Cunha10/08/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O fazer contra o trabalho

    John Holloway não desiste de pensar a revolução. Prefere fazê-lo, porém, por uma via heterodoxa, criativa e antidogmática - mas sempre, e por isso mesmo, radical. Após propor "mudar o mundo sem tomar o poder" (título de seu livro anterior lançado no Brasil), agora Holloway se debruça sobre o duplo caráter do trabalho, como analisado por Marx. Para o marxista tradicional, acomodado com suas velhas Verdades, isto pode parecer uma perda de tempo, e até enfadonho. Mas em Holloway isto se torna a aventura de desontologizar o trabalho abstrato, de lembrar que não há nada de natural ou eterno no fato de sermos transformados em trabalhadores, seres que são socialmente reduzidos a instrumentos da valorização de capital, ao desempenho de trabalho em abstrato - trabalho alienado. Para Holloway, então, a revolução é a articulação da revolta do fazer socialmente autodeterminado contra o trabalho. O fazer, ou trabalho concreto, apesar de subsumido no trabalho abstrato, é imanente ao duplo caráter do trabalho. Ele está lá, aqui e agora, em tensão no-contra-e-mais-além do trabalho abstrato: esta é a base material da esperança. É daí que múltiplas fissuras podem surgir (e surgem) no tecido da dominação capitalista. É daí também que (re)emergem as consequências mais libertárias da crítica da economia política marxiana, tão esquecidas pelos epígonos da tradição. "Fissurar o capitalismo" é uma leitura imprescindível para todos aqueles que ainda não desistiram de mudar o mundo, e que entendem o poder da reflexão crítica para radicalizar a prática.

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