As Nuvens -

    Juan José Saer

    Editorial Caminho
    2001
    237 páginas
    7h 54m
    ISBN-13: 9789722114042
    Português Brasileiro

    Corre o ano de 1804. O doutor Real é um jovem psiquiatra que trabalha no sítio d' As Três Acácias, muito perto de Buenos Aires, com o experiente doutor Weiss, seu amigo, mestre e mentor, cujas teorias muito próprias sobre a loucura e como tratá-la são aplicadas na Casa de Saúde de que é fundador. Por razões várias, a Casa acabou em ruínas, facto a que não são alheios os tempos conturbados que a Argentina vivia nessa época. Em dada altura é confiada ao doutor Real a incumbência de se deslocar a Santa Fé para trazer cinco loucos até Buenos Aires, à Casa. Inesperadamente este percurso através da pampa, qual epopeia fantástica, torna-se o motivo central do relato do jovem psiquiatra: o singular cortejo que o acompanha, composto por trinta e seis pessoas, desde uma escolta de soldados a prostitutas, é vítima das mais variadas peripécias, vicissitudes, aventuras, obstáculos de toda a ordem e encontros inesperados. Autêntica «nave de loucos», nesta viagem tão irónica quanto sentimental o autor transmite-nos a sua concepção muito própria do tempo e do espaço, da história, e da fragilidade da consciência e da memória como instrumentos de apreensão da realidade.

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    Antonio Carlos Oliveira07/10/2013Resenhou um livro
    3 (Bom)

    As Nuvens é um dos últimos livros do grande escritor argentino Juan José Saer, falecido em 2005. O argumento é muito simples: o doutor Real é um jovem psiquiatra que, associado a um pioneiro médico austríaco, vem fundar na Argentina o primeiro manicômio da América do Sul. Seu mestre confia-lhe a missão de conduzir cinco loucos de Santa Fe até Buenos Aires, onde eles irão tornar-se os primeiros pacientes da casa de saúde As Três Acácias. Organiza-se uma caravana de que fazem parte 36 personagens: os loucos,uma escolta de soldados, guias e prostitutas - uma delas francesa. "Extremamente lenta e extremamente longa", a caravana atravessa o pampa e suas ameaças, que incluem a tribo do cacique sublevado Josesito. Ao cacique, que sempre é visto com seu violino a tiracolo, um dos loucos prega a unidade da raça americana. Índios, loucos e animais imersos numa "paisagem estranha", num clima exasperante em que calor, frio e tempestades súbitas sucedem-se sempre em tons extremados, tecem uma rede em torno do doutor Real, como se a viagem suspendesse as categorias do cotidiano conhecido. O resultado é uma antiepopéia colada ao real. Ao mesmo tempo, contudo, o romance é a aventura de um psiquiatra, idéia que parece impugnar a dicotomia entre "romance psicológico" e "romance de aventura" que Saer sempre questionou.

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