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Quem conto um conto aumenta um ponto, reza a lenda.Cada conto avança um ponto na sua história. E Vladimir Propp encontrou cerca de 150 elementos que compõem o conto e 31 funções constantes, cuja sucessão, no conto é sempre idêntica.
O conto fantástico é uma das produções que eu aprecio demasiadamente. Meus mestres desta arte são BORGES e CORTÁZAR. E fico muito a vontade para resenhar sobre esta Antologia de Contos Fantásticos.
Este projeto consolidado com organização de Rubem Cabral [ contista também, participou inclusive da antologia ], com Pedro Viana [ capa - caprichadíssima por sinal ], Programação e diagramação de Bia Machado.
Numa época em que tudo é "líquido", "plástico", textos pop demais lançados por editoras; numa época em que tudo é previsível e permissível, a maior parte dos escritores mostraram a cara e a que vieram. Nesta antologia o mais tenaz escritor não existe, afinal são vários. Contos vigorosos, inspiradores, com ritmo, ação, argumento, clímax e desfecho [ nem sempre nesta ordem ].
As páginas de ! tem uma estética plausível e elegante. Trinta e quatro contos em que o insólito, o sonho, a fábula, a loucura, a poesia [ mãe da linguagem ] desfilam com urros do experimento.
Alguns contos o leitor é convidado a mergulhar no inesperado. E esta p/ mim é a melhor parte. Todos os contos desta antologia possuem uma narrativa polida e linguagem nada antiquada.
Com uma prosa segura, Vitor Toledo [ usa e abusa de uma sintaxe notória, ímpar mesmo ], Pedro Viana [ sou condescendente por conta da sua juventude, mas já demonstra presença na escrita ], Diogo Bernadelli [ exato, preciso e com foco, já mostrara a sua essência ]; Rodrigo Arcádia, Andreza Barroso, Érico, Wesley Cruz nos oferece uma prosa rica, mas em momento algum impenetrável e com aprumo estilístico, seguros.
No fantástico [ novela ou conto ], o inverossível às vezes é a atração principal e Leonardo Barreiros, Bia Machado, Felipe Holloway, Raione Pedrosa, Martha Ângelo, Gustavo Araújo, Caio Pereira, Felipe Rodrigues, criaram contos borgianos. Borges recorreu ao absurdo para escrever a espinha dorsal de toda sua obra. E notei uma promessa bem vinda na Nova Literatura Brasileira, e nossa literatura esta precisando deste novo fôlego.
Alguns contos me deram raiva, isto mesmo raiva. Fiz uma revisão crítica e identifiquei a preocupação de alguns contistas com a questão do tempo. Minha "raiva" deu se porque notei que em inúmeros casos os contos renderiam mais. Fôlego para uma novela de no mínimo 100 páginas [ mini romance ]. Acaba de ler e pensava:- mas já acabou?
Alguns casos:-
- A casa xadrex, Coisas e Loisas, A bela adormecida, Além da miragem, Catarina, O terceiro menino, Em nome de Deus, Tempos de rei e A mão do diabo.
Imagino que selecionar não é fácil. Entendo todo o processo ou, tento entender. Nestes textos tudo é importante, inclusive as imprecisões e o supérfluo. E tomara que a cada novo texto que lermos em um futuro [ próximo ], a voltagem aumenta.
Grata supresa esta antologia. Vale o ingresso!!