Em Ladrão de Almas, segundo volume da série A Filha do Apanhador de Demônios, de Jana Oliver, adentramos um pouco mais a vida da caçadora de demônios Riley Blackthorne e acompanhamos a mocinha se rendendo ao amor. Apesar de termos um romance na trama, os objetivos de Riley ainda são claros e inconfundíveis e neste livro encontramos ainda mais adrenalina e emoção do que no antecessor.
Após a devastadora e sangrenta batalha no Tabernacle, muitos caçadores estão mortos e feridos. Simon - o namorado de Riley - foi parar no hospital e, para piorar a situação, o corpo de seu pai, Paul Blacktorne, foi retirado do túmulo por um poderoso necromante. Para engrossar ainda mais o caldo, um apanhador de demônios freelancer, Ori, está acompanhando Riley tal como um guarda-costas, mesmo contra a vontade dela e Beck, o pupilo de seu pai, está cada dia mais superprotetor com a caçadora, apesar de seu comportamento rabugento. Em meio à tantas dificuldades e provações, Riley está cogitando até mesmo sair de Atlanta.
Entretanto, com a quantidade de demônios crescendo mais a cada dia, o Vaticano não encontra outra escapatória a não ser enviar os seus próprios caçadores para controlar a situação e evitar desordem na cidade. Porém, isso não tira Riley da mira do inferno e da perseguição implacável de um demônio de Nível Cinco, fazendo com que os dias de sorte da apanhadora estejam contados...
Ladrão de Almas se superou e trouxe ainda mais ação e aventura para a trama de Jana Oliver. As batalhas apresentadas no livro são épicas e sanguinárias e serviram para alavancar ainda mais a adrenalina e a emoção presentes no enredo, assim como o ingresso de novos personagens e seres sobrenaturais, especialmente os anjos. Os personagens passam por muitas transformações e mesmo sendo intimamente fortes, não deixam de mostrarem o seu lado humano, com todos os seus erros e fraquezas. Narrado em terceira pessoa de forma coesa e fluída, o livro trouxe novo ânimo e vigor para a história e elucidou muitas incógnitas da trama.
Riley não se afastou de seus objetivos, mas acabou sendo tocada pelo amor. Mesmo com tantas advertências e conselhos, ela se deixou mergulhar profundamente na paixão, sem saber qual seria o sabor dos frutos de sua escolha. E sim, ela continua decidida, feroz e disposta a tudo para recuperar o corpo do seu pai e lhe dar o merecido descanso. As escolhas da personagem não foram as mais acertadas possíveis e ela terá que lidar com as consequências delas e, assim, enfrentar suas próprias batalhas.
Como dito na resenha anterior, eu estranhei demais o modo certinho do Simon de ser e sempre desconfiei que tinha caroço nesse angu. Pois foi exatamente isso que se desenvolveu nas entrelinhas do livro e o personagem se mostrou um puritano irritante, além de extremamente ingrato com Riley. O bad boy Ori é uma figura bem enigmática e sempre aparece no lugar certo e na hora apropriada para auxiliar a caçadora e confesso que também achei essa precisão do personagem um pouco controversa. Já Beck, com o seu humor tenebroso e temperamento difícil, está ganhando a minha simpatia cada vez mais e se mostrando um homem de palavra e coração.
Em síntese, Ladrão de Almas não caiu na maldição do segundo livro; muito pelo contrário, se mostrou uma sequência até mesmo superior para a saga criada por Jana Oliver. Com muito mais emoção, adrenalina, vigor e magia e personagens envoltos por uma mescla de erros e acertos, o livro conseguiu se superar e nos deixou um gancho estarrecedor para a sua sequência. A capa da obra é bem interessante e nos traz a sombra de uma garota debruçada em uma lápide e a diagramação está bem caprichada, com fonte em bom tamanho e revisão de qualidade. Recomendo ☺