A duquesa e o céu -

    Sergio Lemos

    RECORD
    2000
    173 páginas
    5h 46m
    ISBN-10: 8501056987
    Português Brasileiro

    Uma crítica à imposição da modernidade como valor absoluto. Neste livro, Sérgio Lemos retoma a literatura picaresca de séculos atrás. Recorre a uma linguagem afetadamente clássica, até arcaica. Mas, antes de mais nada, o livro é um debate filosófico também clássico - a incompatibilidade lógica entre a existência de Deus e a existência do Mal. Nele, o autor faz, também, uma alusão ao naufrágio de todos os idealismos, fenômeno típico deste fim de século. Seja qual for o modo de interpretar o livro, a escolha da linguagem é intencional e traz subentendida O livro narra as aventuras e desventuras de uma surrealista fidalga do século XVII, que sonha em restaurar a independência de Portugal - então sob o domínio espanhol, depois do sumiço do rei Sebastião I na batalha de Alcácer-Quibir. Em meio a intrigas da corte, peripécias e confusões, a duquesa vem parar no Brasil colônia, onde a história encontra o seu desfecho. O tom irônico das alusões religiosas e teológicas oculta a profunda afeição do autor por todas as tradições judaico-cristãs e, ao mesmo tempo, um inconformismo em relação ao radicalismo das instituições que se multiplicam nesse terreno. Tudo isso com a característica preocupação de Lemos com a linguagem, dono que era de um acurado senso estético.

    Resenhas (1)Ver mais
    Cássia Fernandes picture
    Cássia Fernandes15/12/2017Resenhou um livro
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    Um daqueles livros que me encontraram não sei como nem quando e me reencontraram uma segunda vez em minha própria casa. Um autor póstumo, como diz o autor da orelha, ignoro se também póstumo, Reinaldo Azevedo. Logo no primeiro capítulo encontro um trecho que muito me teria servido como epígrafe: "Nasceu minha primeira alma em maio, como nascem as flores do Reino, e isto era nos anos de 60O, que vem longe vão. Alma primeira, digo eu, das que por esta terra do Brasil andaram e pensaram, quantas minhas almas não não de ser mais remotas, no século e na geografia. Porque elas se equivalem, ligam-se por estranhos laços, de um misterioso parentesco _ e havia de certificar-se não ser esta aquela, ou aquela esta, se até chegam a esconder-se umas das outras?"

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