"Divino sabia que seu nascimento estava relacionado à obrigação daquelas audiências. A partir daí começava o campo minado de seus medos e tormentos. Nascera de um animal medonho e estava destinado a vagar rosnando pelo mundo, a voz se tornaria gutural, os olhos forçariam as órbitas e ganhariam visão ampla que nada lhe escaparia na escuridão da caça. Ou fora encontrado pela parteira na porta de casa, e ao ser recolhido assustara-se com a revoada de pássaros negros como os corvos que o guardavam na aurora, antes que soassem os primeiros tambores da Festa do Divino. Então se lembrava de que podia falar com Deus e seus temores diminuíam, até pensar se esta não seria a aberração maior." ... "Assim que o corpo da moça começou a avolumar-se não havia trilha de cafezal, balcão de armazém, canto de praça, banco de igreja, córrego de lavadeiras ou beirada de fogo em que não se ouvisse a pergunta a meia-voz: 'Quem amou Solange de Belleview?'"

